

Entre o material novo que por ventura possa chegar irei intercalando postagens feitas anteriormente nos blogs antecedentes dando seqüência a série:
GRANDES FIGURAS DELMIRENSES.
Terça-feira, Dezembro 21, 2004
TERESINHA Teresinha Ô Ô Teresinha Ô Ô. Adeus mundo velho. Você vai. E eu fico... Quebra- Queixôôôoôoo quem vai querer. Teresinha ô ô ô Olha o Quebra-Queixo...Adeus Mundo velho. Você vai. E eu fico.
O trecho acima era o bordão para a venda de quebra-queixo. Era ouvido nas ruas delmirenses nos anos 70. O seu autor era uma figura burlesca: O Teresinha. O feitiço virou contra o feiticeiro. Um homem conhecido por um nome feminino. O seu nome real creio que ninguém sabia. Ele era baixo, moreno e tinha um pequeno bigode. Seu rosto parecia um pouco com do Cantinflas.(um antigo artista cômico mexicano que fez muito sucesso em Hollywood nos idos dos anos 40/60)
Teresinha um dia chegou na cidade. Não se sabe de onde. Morava ali para os lados do Clube Palmeirão. E ganhava a vida vendendo doces. Mas o pouco que ganhava gastava em bebidas. Era comum vê-lo anunciando o seu produto com uma voz embargada, olhos vermelhos injetados e andar cambaleante. Parecia uma versão quixotesca. Ou um Carlitos sertanejo. Era tragicômico.
Seu quebra-queixo era gostoso. Mas não era nenhum primor de higiene. Talvez por isto o sabor se acentuava. Mas quem se preocupava com isto? Éramos crianças. E assim sendo não sabíamos da existência de bactérias e outros bichinhos. Então se não sabíamos, não contraímos nenhuma. Imunidade total. Espero que nenhum infectologista leia isto. Apenas um sofisma. O certo era que: o danado do doce era gostoso mesmo. E por cima vinha enrolado naqueles pedaços de papel pardo. Papel de embrulho mesmo.
Algo que causava um certo dó era ver a sua esposa, seguindo-o pelas ruas. Era uma moça bonita, meio aloirada, estatura média, recatada, paciente e educada. Ela tinha traços físicos lembrando um pouco aqueles imigrantes eslavos que vinham trabalhar na agricultura no sul do país. Enfim era muita mulher para o pobre-diabo do Teresinha. No entanto ela o tratava com o maior respeito e reverência.
Será que era alguma promessa? Ou ela purgava seus pecados de vidas passadas. E apenas cumpria a sua sina? Não sei. Talvez alguém saiba. E possa vir aqui esclarecer este mistério.
Mas o lado mais interessante do Teresinha era a sua criatividade. E no carnaval ela se soltava. Ele montou um verdadeiro zoológico para os dias de Momo. Juntando um papelão aqui, cola dali, bolas de ping pong, tinta, pedaços de pano, lã e arame ele conseguiu montar: UM GORILA, UMA EMA E UM JACARÉ. E tome a molecada ir atrás dos bichos pelas ruas delmirenses. Cada bicho tinha uma marchinha. Letra simples como o Teresinha e suas crias.
Lembro que a música da ema era mais ou menos assim:
Eu comprei uma ema para brincar o carnaval...êêê êêê a A ema tem o pescoço de mola êêê êêê a Devagar eu chego lá êêê êêê a.
Pela letra vê-se que ele não era nenhum Chico Buarque de Holanda ou Capiba. Mas era divertido. Muito divertido. Mas toda a diversão era uma maneira engenhosa que o Teresinha usava para ganhar uns cobres a mais. A troupe parava em frente as casas, ficava cantando as marchinhas. E o morador geralmente aparecia e dava algum dinheiro. Pronto o feijão e cachaça da semana estavam ganhos.
Provavelmente o Teresinha pela sua vida um tanto sem regras, já tenha falecido. Os fatos acima ocorreram há cerca de trinta anos atrás. Aqui fica o registro de alguém a quem devo alguns momentos inesquecíveis de uma infância um tanto distante em Delmiro Gouveia. A este personagem sui-generis, um artista popular que talvez poucos lembrem.
E aí você lembrava dele? Que outro vendedor ou artista de rua delmirense você lembra? Ou se não for delmirense em sua cidade deve ter algum outro. Afinal todas as cidades em essência se parecem.
Teresinha um dia chegou na cidade. Não se sabe de onde. Morava ali para os lados do Clube Palmeirão. E ganhava a vida vendendo doces. Mas o pouco que ganhava gastava em bebidas. Era comum vê-lo anunciando o seu produto com uma voz embargada, olhos vermelhos injetados e andar cambaleante. Parecia uma versão quixotesca. Ou um Carlitos sertanejo. Era tragicômico.
Seu quebra-queixo era gostoso. Mas não era nenhum primor de higiene. Talvez por isto o sabor se acentuava. Mas quem se preocupava com isto? Éramos crianças. E assim sendo não sabíamos da existência de bactérias e outros bichinhos. Então se não sabíamos, não contraímos nenhuma. Imunidade total. Espero que nenhum infectologista leia isto. Apenas um sofisma. O certo era que: o danado do doce era gostoso mesmo. E por cima vinha enrolado naqueles pedaços de papel pardo. Papel de embrulho mesmo.
Algo que causava um certo dó era ver a sua esposa, seguindo-o pelas ruas. Era uma moça bonita, meio aloirada, estatura média, recatada, paciente e educada. Ela tinha traços físicos lembrando um pouco aqueles imigrantes eslavos que vinham trabalhar na agricultura no sul do país. Enfim era muita mulher para o pobre-diabo do Teresinha. No entanto ela o tratava com o maior respeito e reverência.
Será que era alguma promessa? Ou ela purgava seus pecados de vidas passadas. E apenas cumpria a sua sina? Não sei. Talvez alguém saiba. E possa vir aqui esclarecer este mistério.
Mas o lado mais interessante do Teresinha era a sua criatividade. E no carnaval ela se soltava. Ele montou um verdadeiro zoológico para os dias de Momo. Juntando um papelão aqui, cola dali, bolas de ping pong, tinta, pedaços de pano, lã e arame ele conseguiu montar: UM GORILA, UMA EMA E UM JACARÉ. E tome a molecada ir atrás dos bichos pelas ruas delmirenses. Cada bicho tinha uma marchinha. Letra simples como o Teresinha e suas crias.
Lembro que a música da ema era mais ou menos assim:
Eu comprei uma ema para brincar o carnaval...êêê êêê a A ema tem o pescoço de mola êêê êêê a Devagar eu chego lá êêê êêê a.
Pela letra vê-se que ele não era nenhum Chico Buarque de Holanda ou Capiba. Mas era divertido. Muito divertido. Mas toda a diversão era uma maneira engenhosa que o Teresinha usava para ganhar uns cobres a mais. A troupe parava em frente as casas, ficava cantando as marchinhas. E o morador geralmente aparecia e dava algum dinheiro. Pronto o feijão e cachaça da semana estavam ganhos.
Provavelmente o Teresinha pela sua vida um tanto sem regras, já tenha falecido. Os fatos acima ocorreram há cerca de trinta anos atrás. Aqui fica o registro de alguém a quem devo alguns momentos inesquecíveis de uma infância um tanto distante em Delmiro Gouveia. A este personagem sui-generis, um artista popular que talvez poucos lembrem.
E aí você lembrava dele? Que outro vendedor ou artista de rua delmirense você lembra? Ou se não for delmirense em sua cidade deve ter algum outro. Afinal todas as cidades em essência se parecem.













