terça-feira, 10 de março de 2009

Homenagem ao Ivã Balbino de Souza

Não o conheci pessoalmente. Mas ele era um leitor assíduo do nosso blog. E, posteriormente, passou a ser um colaborador. E assim de vez em quando nos enviava algum material para postarmos por aqui. Por vezes fazia seus comentários nos assuntos trazidos pelos outros, e sua participação se dava sempre de forma inteligente, espirituosa e por vezes esclarecedora sobre o passado delmirense. Não morava mais na nossa Macondo Sertaneja e sim numa das cidades de sua “área metropolitana”: Olhos D´ Água do Casado(AL).

E veja como são as coisas. Há poucos dias eu recebi farto material enviado pelo Eduardo Menezes. E neste material há dezenas de fotos da cidade onde morava o nosso colaborador. E eu estava aguardando uma oportunidade para homenagear e surpreender um pouco o Ivã Balbino. Mas eis que o destino é que nos surpreende.

Ontem ao ler os comentários recebo a notícia que o mesmo havia falecido há alguns dias. Como falecido? Pô o cara até poucos dias atrás estava participando ativamente do blog.(vide comentários nos textos anteriores). Era um dos poucos que ainda vinham aqui com certa regularidade. Realmente fiquei triste. Lamento. Apenas podemos mandar um abraço para seus familiares e amigos.

Sobre o acontecido o Eduardo Menezes comentou:

É com grande tristeza que recebo essa notícia, Ivã era amigo meu de infância. Quando o conheci ele já tinha tido a paralisia infantil, não conseguia ficar de pé e andava com as mãos no chão, depois fez uma cirurgia nas pernas em um navio chamado HOPE (ou coisa assim) e passou a andar de pé com ajuda de moletas e aparelhos nas pernas, depois de um bom tempo deixou de usar os aparelhos.Era grande apreciador do Pink Floyd e do Led Zeppelin...

Então em nome de todos os que participam deste blog segue de forma transversa e um tanto atrasado os nossos agradecimentos, e o homenageamos com as imagens de sua bucólica Olhos D’ Água do Casado.

Siga em paz grande companheiro Ivã Balbino de Souza.
















terça-feira, 3 de março de 2009

Um Mito delmirense: Ronaldo Macarrão



Toda cidade interiorana tem seu “maluco beleza”, geralmente é um tipo boa-praça e querido por todos por suas “loucuras reais” E sendo assim mais uma vez o mitológico Ronaldo Macarrão (Rony Seixas para os íntimos) volta a ser tema do nosso blog.

É através do Eduardo Menezes que nos envia uma excelente sequência de imagens. Mas ele não nos contou a história toda. Apenas nos disse que foram tiradas em 1979 e no dia em que o nosso personagem embarcava para São Paulo e dizia que iria tocar na banda do Raul Seixas e, para tanto, um bando de “amigos” fizeram uma festa de despedida.

Apenas por uma das pessoas que aparece na foto vou fazer uma inferência que talvez tenha sentido, mas poderá ser contestada numa boa.

Veja bem: Em algumas fotos aparece o não menos famoso Gilmar Vieira, conhecido como “Cabeção”. Ora, o Gilmar terminou seus estudos em Paulo Afonso em 1976. Portanto, para ele estar em Delmiro Gouveia, deveria ser período de férias, pois ele já havia se mudado para Vitória- ES onde fazia faculdade. Então, estas fotos foram tiradas ou em janeiro/fevereiro ou julho.

E, pelas imagens, deduzo também que o Cabeção deve ter coordenado este evento do bota-fora do Macarrão, pois numa de suas visitas em DG ele adentrou com mais três rapazes carregando o Macarrão dentro de um caixão de defunto em pleno intervalo do sarau no Clube Vicente de Menezes. Ou seja: esta dupla tem muitas histórias para contar.

Como aparecem muitas pessoas nas fotos creio que será possível também comentarmos um pouco. Por exemplo, identifiquei entre outros: o Dodô que morava ali pelos lados da Rua 13 de maio e o Luizinho de Lula Ferro e o Tuxinha que morava na rua do ABC e parece-me que era parente ou agregado do Sr. Eurico(protético). Ou seja: temos panos para mangas. Será que alguém consegue identificar todos os outros delmirenses que aparecem nas fotos?

E, falando em histórias, resgato também logo em seguida um texto publicado ainda no primeiro blog onde há outro fato pitoresco envolvendo o nosso ídolo.

Agora é com vocês. Alguém sabe me dizer quanto tempo durou a aventura do Macarrão em terras paulistanas? Obteve sucesso em sua empreitada? Voltou contando histórias interessantes? Enfim deixe o seu recado.


O DIA EM QUE BEATLES SOUBERAM DA EXISTÊNCIA DA CIDADE DE DELMIRO GOUVEIA.
Texto de Paulo da Cruz.(Texto original postado em 04 de julho de 2005)
A letter from UK to Mr. Ronald(Uma carta do Reino Unido para o Sr. Ronaldo “Macarrão”

Foi na década de 60, aproximando-se dos seus meados. Roberto Carlos estava iniciando sua carreira de sucesso e os Beatles já faziam um tremendo sucesso.

No Bar do Maninho e na Sorveteria do Zé Raul, quase vizinhos, sempre se ouviam as músicas de sucesso sendo tocadas, principalmente na sorveteria onde tinha uma coleção de discos dos Beatles. Essas músicas, seu sucesso e o próprio conjunto eram objeto de conversas no Bar do Maninho. Ronaldo “Macarrão”, nome derivado da sua silhueta, já tinha nessa época veleidades de baterista.

Em uma dessas conversas ele manifestou a vontade de escrever uma carta para o Ringo Starr, mas, como mal lidava com o vernáculo isso era impossível para ele. Aí que nos surgiu a idéia de escrevermos a carta por ele. A carta ficou pronta com o auxílio de Edvaldo, de Seu João “do Jogo”, que dominava a língua inglesa com maior desenvoltura. O “Macarrão” não se fez de rogado e postou a carta para a Inglaterra. Qual não foi a nossa surpresa quando meses depois chegou uma resposta. Enviada pelo fã-clube de Ringo Starr, a missiva agradecia a lembrança do delmirense em se pronunciar a partir de um país tão distante o Brasil.

Foi aquele rebuliço, como se diz em DG, as pessoas cercando o “Macarrão”, querendo saber o que dizia a carta e passando a tratá-lo como pessoa ilustre. Afinal ele tinha recebido uma carta dos Beatles. Na verdade do fã-clube de Ringo Starr. Naquele momento o Ronaldo “Macarrão”, todo pachola, virou-se para o pessoal, e com toda a “autoridade” de estava investido naquele momento disse: “Vou mandar outra carta pedindo uma bateria a ele”.

Essa imagem, passados tantos anos, de tão forte ainda continua gravada na minha mente. Não sei se o Ronaldo mandou essa carta, acredito que não, e nem sei se ele ainda lembra-se desse fato, mas o certo é que naquele dia ele teve os seus 15 minutos de fama.

PS : Eu(César) não conhecia o fato narrado pelo Professor Paulo. Pois cheguei em DG em junho de 1969 com apenas sete anos de idade.E o acontecimento se deu alguns anos antes. No entanto cheguei a conhecer quase todas as pessoas citadas. Achei espetacular o resgate deste fato inusitado. Agradeço ao Paulo da Cruz pela colaboração na manutenção do blog.

E aí você leitor o que está esperando para também enviar o seu causo? Faça o seu registro. Resgate a memória popular da sua cidade










Tuxinha, Macarrão e Miltinho.
Miltinho, Macarrão e Gilmar Cabeção
Gilmar Cabeção(provavelmente o mentor do embarque) e Macarrão
Turma toda. Entre eles: Cabeção, Bocão, Dodô,Luizinho,Miltinho...
Entre outros: Gilmar Cabeção e Geraldo Bocão
Entre outros: Tuxinha, Miltinho e Luizinho
Despedindo-se de sua santa mãezinha.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Loja de Davizinho: Patrimônio Delmirense.

Sempre que falamos nas casas comerciais do passado e presente delmirense há um nome que vem à tona: a Loja de Davizinho. Conhecida comercialmente como Miscelânea Marques. Nunca vi nome mais apropriado. Pois era uma verdadeira miscelânea a variedade de produtos ali vendidos. Vejamos entre outras coisas era possível se encontrar por lá desde: tecidos, botões, agulhas, plásticos até alimentos e brinquedos. Não sei por que, mas até hoje me lembro chapéus Ramenzoni que ficavam nos altos das prateleiras dentro de umas caixas arredondadas.

Lembro que o seu David Marques era (acho que ainda o seja) um senhor magro, sempre bem vestido, usava óculos de armação fina e bastante gentil, paciente e atencioso com a clientela. Lembro-me também que trabalhavam ou ajudavam por lá duas pessoas: A Aurenice e D.Luisinha. Não lembro se D.Luisinha tinha algum parentesco com ele ou se foi uma de suas esposas. Pois parece-me também que ele era viúvo Seu Davizinho também tinha outra característica era bastante religioso. Então era comum encontrá-lo sempre nas missas.

Mas o post de hoje é ilustrado por três imagens enviadas pelo Eduardo Menezes. E entre a mais antiga e as duas mais recentes há um interstício de mais de 30 anos. E para os que têm saudades do passado é possível deparar com um raro caso onde a fachada original do imóvel se mantém quase incólume.

O nome da loja ainda continua o mesmo?

Agora é com vocês.


Loja de Davizinho/Novembro de 2008
Anos 70: Edvânia, Geraldo e Selma.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Gaviões da Pajuçara Homenageia Delmiro Gouveia

Uma boa surpresa: Eis que recebo quase simultaneamente dois emails. Um enviado pelo Eduardo Menezes e ou outro pelo David Roberto. E o assunto é o mesmo: A Homenagem feita por uma escola de samba de Maceió ao pioneiro Delmiro Gouveia. E assim abrindo uma exceção, pois não costumo postar artigos, textos ou matérias que já tenham sido divulgados. No caso não haverá bronca a fonte é citada e devidamente linkada.


GAVIÕES DA PAJUÇARA HOMENAGEIA DELMIRO GOUVEIA

Mostrando que fez bonito na avenida, a escola de samba Gaviões da Pajuçara levou, na tarde desta quinta-feira, 26, o título de campeã do Carnaval alagoano de 2009.

Durante a apuração, realizada na Fundação Municipal de Ação Cultural, no Jaraguá, os jurados analisaram alegoria, adereço, fantasia, harmonia, bateria, comissão de frente, porta-bandeira, mestresala, evolução e samba-enredo. Assim, com 82 pontos, a Gaviões da Pajuçara se tornou a nova campeã alagoana após do desfile carnavalesco que teve como enredo “Delmiro Gouveia, Mauá do Sertão”, homenageando o pioneiro da industrialização no Nordeste e a primeira indústria têxtil no sertão alagoano, a Fábrica da Pedra. A escola contou ainda com um grupo de colaboradores da Fábrica da Pedra, que acompanharam o desfile. A escola foi fundada em 12 de maio de 2000 e já possuía dois títulos em suas salas de troféus.

A '13 de Maio', do Jacintinho, foi a vice-campeã após fazer uma exaltação as belezas naturais de Alagoas com o enredo "Viagem de sonhador sob o céu do paraíso das águas”. Na terceira posição, a Jangadeiros Alagoanos, ao explorar o enredo “Coração: a máquina da humanidade, sonho de amor e vida; doutor Wanderley, símbolo do coração da gente”.

Neste sábado, 28, o presidente da Gaviões, Hílton Lopes (Prego) vai colocar a escola na avenida mais uma vez para o desfile da campeã.

Fonte: Alagoas 24horas
http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/index.asp?vEditoria=&vCod=61990




domingo, 22 de fevereiro de 2009

Carnaval em Delmiro Gouveia(2008)

Dentro da série Carnaval Delmirense hoje temos texto e imagens por conta do nosso colaborador Fernando Alves Pita (S.Paulo-SP)

Amigo Cesar,

Como estamos em clima de carnaval, estou enviando algumas fotos que registrei no carnaval de 2008 em Delmiro.

Depois de sete anos sem viver a energia do carnaval de Delmiro (deixei a cidade em 2001). Em 2008 tive a oportunidade de rever meus amigos e curtir o melhor carnaval de Alagoas. Confesso que senti emoções muito boas, que palavras não conseguem explicar exatamente os momentos maravilhosos do carnaval de 2008.

Registrei alguns momentos em fotos, sendo elas uma representação das características atuais do carnaval Delmirense. Carnaval que cada ano torna-se melhor através da uma mistura de blocos tradicionais, blocos alternativos e os foliões.

A Alegria e Cultura fazem parte do carnaval delmirense de maneira muito marcante e objetiva, resgatando as origens carnavalescas e populares.

Atenciosamente

Ô_Ô Fernando


Bloco dos Idosos na Rua do ABC
Bloco dos Idosos entrando no Beco de Luiz Xavier
Bloco da Pedra Velha
Banda de Maracatu- Bloco Cor
Mensagem de Carnaval

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Carnaval delmirense: Bafo da Cana - Um bloco Tradicional

Resgato hoje um texto postado originalmente em fevereiro de 2005(“mas menino êita que o blog tá é durando hein?”). Texto bastante grande por sinal e o leitor querendo pode pular ele numa boa. O que é interessante hoje são as imagens, de janeiro de 2007, que o acompanham. Trata-se de um ensaio para retorno do tradicional bloco delmirense: Bafo da Cana. Nestas imagens aparecem algumas figuras delmirenses bastante conhecidas. Será que conseguiremos identificar todos? Será que haverá alguns “causos” interessantes a serem resgatados?

Todas as fotos foram enviadas pelo nosso colaborador Eduardo Menezes.


Eis o texto de janeiro de 2007.


Carnaval

Carnaval chegando. Vem à mente as lembranças de uma das melhores partes da minha infância/adolescência em Delmiro Gouveia: O Mela- Mela.

O Mela-Mela era um misto de brincadeira com pura selvageria. Selvageria sim. Porque não respeitávamos nem pé de coentro. Mas naqueles tempos felizmente ainda não havia a onda do politicamente correto. Tudo era incorreto mesmo. E pronto o resto que se dane. Ora para a meninada estava ótimo. O que valia era a mais pura anarquia. Para quê regras?

A coisa toda acontecia nas manhãs de domingo. Os grupos se posicionavam nas esquinas de suas respectivas ruas. Todos devidamente equipados: caixa de maizena ou arrozina a tiracolo. E uma bisnaga com água. E os alvos prediletos do mela-mela eram as pessoas que passavam limpinhas. Tinha gente voltando da missa. Estas davam um prazer meio especial. Algo sádico sujar tais pessoas. Mas fazíamos com prazer. Tome maisena na cara, nos cabelos e na roupa. Era uma papa geral. Lógico que alguns rapazinhos com a libido em alta e hormônios a flor da pele, aproveitavam a ocasião para passar a mão em algumas meninas mais bonitinhas. Passavam! tudo bem! Mas invariavelmente estes espertinhos de plantão levavam uma sonora mãozada na cara. Plaft ecoava o som na cara do safado.

Ao meio-dia, uma regra, não escrita, era cumprida à risca. Cessava a brincadeira.

Então o restante do carnaval era mais tranqüilo. As opções eram poucas:

O Bloco do Bafo-da-Cana. Rapazes e moças da classe média e alta (se é que existia esta diferenciação), alguns instrumentos de percussão, umas palhas de coqueiro ficavam a desfilar sem nenhum roteiro definido. E do seu hino só lembro um trecho:

Olha o Bafo da Cana
Que não tem fantasia
Alegria Barata
Bafo bafo bafo...

Havia o Bacalhau do Zé do Carmo. Um bloco formado por pessoas mais simples. Dizíamos que eram as Pinicas de Zé do Carmo. Puro preconceito de nossas mentes tacanhas e provincianas. Não me lembro de seu hino. Seu ponto de concentração era ali perto do sindicato dos tecelões.

E da Cohab partia a primeira escola de samba organizada da cidade. Fantasias bonitas para os padrões que conhecíamos até então. Eram os Leões do Samba. Não tenho certeza. Mas creio que uma das pessoas responsáveis por sua organização era chamada de Hercília.

Nos quatro dias de Momo também havia os tradicionais bailes e matinês nos Clubes Vicente e Palmeirão. Tocava-se muito frevo.

O último carnaval que passei em Delmiro Gouveia foi em 1980. De lá para cá muita coisa mudou. Vi na minha última visita a cidade a sede de alguns blocos. E também acompanho pelos jornais, que há uma tendência de se fazer àquela festa mais industrializada. Com cara de carnaval baiano: Todos com roupas iguais. Algo meio robotizado. Particularmente não gosto. Acho que tira um pouco da velha e anárquica alegria. E, além disto, sou apaixonado pelas influências pernambucanas. Coisa de bairrista.

Também foi criado após a minha saída o Bloco do Pompeu.( Nunca tive o privilégio de vê-lo desfilar. Meu primo Tadeu Mafra é um dos fundadores. Homens travestidos de mulheres desfilando pelas ruas delmirenses. Dizem que faz tanto sucesso quanto às famosas Virgens do Bairro Novo (Olinda).

E você que lembranças têm do carnaval delmirense? Agora é bem melhor que no passado? Ou não? Você lembra do Hino completo do Bafo da Cana? E do Bacalhau qual era? Você também curtia o mela-mela? Deixe aqui o registro de suas lembranças. Conte por aqui alguma boa história sobre o carnaval delmirense.

Abraços a todos.

PS: Em tempo. Hoje nem tenho mais disposição e muito menos saúde para carnaval. Geralmente fico nestes dias lendo um bom livro ou assistindo algum filme. Coisa de velho.(risos) É o peso dos anos meus caros.