sábado, 16 de janeiro de 2010

Tâmaras em Delmiro Gouveia.

Hoje trazemos à baila um fato curioso ouvido nesta viagem recente a nossa Macondo Sertaneja. A historia nos foi contada pelo Marquinhos do Posto Aldo(atual secretário municipal de Meio Ambiente). O Marquinhos é uma pessoa bastante simpática, afável e disponibilizou parte do seu tempo conosco numa visita ao Parque Histórico da Usina de Angiquinho.

E durante o trajeto até Angiquinho ele nos contou sobre uns pés de tâmara que haviam sido plantados na Vila Operária. Tais tamareiras foram trazidas pelo pioneiro Delmiro Gouveia de quando numa viagem ao Egito.

Em sua narrativa o Marcos nos contava que elas foram plantadas nos quintais das casas de esquina da Vila Operária. As casas de esquina eram ocupadas preferencialmente por quem exercia cargo de chefia na fábrica da Pedra. E que quando criança na casa de sua avó ele comia tâmaras Estivemos visitando a casa de sua avó (uma senhora já quase nonagenária, bastante lúcida e super simpática) que mora na Rua José de Alencar, e ela corroborou a historia. No quintal de sua casa não havia mais a tamareira. Ela tinha sido infestada por cupins e foi derrubada e até mesmo os resquícios de tronco haviam sido retirados.

Fomos então até a outra esquina e no quintal desta casa havia sim uma árvore. Como a residência estava fechada, fiz duas fotografias de longe. Uma delas com uso do zoom.

Ele também nos contou que teve uma conversa com um professor da Universidade de Tel Aviv, que esteve visitando Delmiro. E o tal professor tinha ficado surpreso com o fato. Pois as tamareiras levam em média trinta anos para apresentarem frutos.

Eu não entendo absolutamente nada do assunto. Mas acho que o tema é interessante para os pesquisadores e curiosos sobre os fatos da terrinha. Seria interessante ouvir os relatos entre outros do David, Paurílio, Abrahão, Eduardo Menezes Paulo da Cruz, Eraldo, Danúbio, André...

Para mais esclarecimentos sobre o assunto sugiro uma pesquisa na net nos sites do Wikipédia ou no tâmaras.com.br, pois, por lá encontrei dados divergentes sobre a chegada das primeiras tamareiras ao país.
Quem estaria certo então?

Agora é com vocês.



domingo, 10 de janeiro de 2010

Amigos de Delmiro Gouveia: Encontro em Janeiro de 2010

Após cinco anos sem ir até a Macondo Sertaneja, eis que dei o ar da minha graça agora no final de dezembro e primeiros dias de janeiro. Passei sete dias por lá. E em se sabendo que estava na cidade, não é que os antigos colegas de turma do GVM resolveram promover um encontro que não estava programado dos AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA!

Mesmo após trinta e três anos de conclusão do curso ginasial, ainda é possível reunir parte da turma. Obviamente é bastante difícil reunir todos. Este foi o terceiro dos encontros que participei. Estive presente pela primeira vez em outubro de 1997(encontrodos 20 anos) e depois em junho de 2002(encontro dos 25 anos). Mas sempre que podem os que ainda residem na cidade ou que passam férias ou feriados por lá, encontram-se com maior freqüência.

As fotos das reuniões passadas podem ser encontradas no endereço www.amigosdedelmirogouveia.hpg.com.br , que foi o primeiro site da série e que deu origem aos blogs posteriores até chegar nesta versão atual.

Vamos espiar as fotos.
Calçada do Candeeiro Bar(janeiro/2010)

Papeando com o Márcio
Ni(seu irmão Nel não pode comparecer)César e Márcio
Edson Borracha, César, Tânia, Márcia e Patricia que havia chegado de Maceió há poucos instantes atrás e veio quase que direto para a festinha.
Cida,Rita, Graça,Tânia,César e Fatinha fizeram um brinde e cobriram o rosto de alguém!
Lalide apareceu!
César, Fatinha(nossa grande atriz e que ainda lembrava na íntegra suas falas na peça: Nêga Maluca) e o Cleiton
E o pessoal chegando e se abancando:Ritinha,Graça Padilha,Lalide,Borracha,Cleiton,Ricarti, Zezinho,Tânia e César
Cleiton dando um caloroso abraço no Marcio.
César entre Márcia e sua mãe D. Lacir(que foi nossa professora nos tempos de GVM)
Tânia(minha prima) com a guarda de honra feita pelos meninos: Edson "Borracha", seu irmão Ricarti, César, Zezinho e Cleiton.
Prazer imenso reencontrar os irmãos Márcia e Márcio. Márcia eu não tinha contato desde 1982 e Márcio desde 1977! O Márcio é uma destacada liderança sindical dos bancários em Alagoas e no nordeste.
Lalide anotando tudo no caderninho
Meus primos queridos: Tânia e Ricarti
Zé Pereira(Zezinho), Fatinha. Lalide,Graça Padilha, Neto(de Clênio),Ni(de Rosalvo Souza) e Cida (de George)
Rita, Fatinha, Cida,Graça, Márcio, Ricarti e Zezinho.

Entre Márcia Anjos e Patrícia Pedrão
Clube da Luluzinha: Lalide, Cida e Tânia.
Patricia chegando e causando o maior rebuliço
Entre Cida Lisboa e Tânia Mafra

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Usina Angiquinho (David Roberto)


Pessoal,

Olha aí que arretado! O David Roberto, um dos colaboradores do nosso blog, teve um artigo de sua autoria sobre a Usina de Angiquinho, publicado na revista Leituras de História, que está nas bancas. Para todos os aficionados pela história do pioneiro Delmiro Gouveia, é uma boa oportunidade de leitura.

Lembramos que para melhor visualização da imagem basta clicar sobre a mesma.

Aproveitamos para parabenizar o David pelo trabalho realizado.

PS: Hoje, 18 de janeiro de 2010, após a referida revista liberar a matéria na internet, fato este avisado pelo David(autor da mesma) via comentários, colocamos o link para leitura na íntegra do trabalho. Basta clicar aqui: Usina Angiquinho

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Futebol Delmirense: Craques do Passado


Aproveitando a proximidade do sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2010, e considerando também que esta semana termina o campeonato nacional, 2009, aproveito o ensejo e resgato mais um texto. Sendo que fiz compilação de algumas fotos publicadas em diversas postagens. No entanto há o mesmo fio condutor: Futebol Delmirense

O texto em forma de poesia abaixo foi enviado pelo Edmo Cavalcante((Maceió)

BARBOSA X PALMEIRINHA
Texto postado originalmente em 16/06/2005

Hoje tem futebol no campo do Agro
É Barbosa e Palmeirinha que vão jogar
Hoje vai muita gente lá para torcer
Virgílio Gonçalves já anuncio no PRPC
Hoje é domingo e tem Barbosa e Palmeirinha pra variar
Dr.Luiz já está pra lá e pra cá com bandeira do Barbosa no carro
Seu Virgílio dos Correios já falou que de qualquer jeito vai ver o seu
Palmeirinha ganhar

Sacol com certeza hoje vai apostar
Bico Fino, Bado, Tonho de Eusébio, João Carlos e Gilmar
Os eternos craques vão fazer suas jogadas e o público vai aplaudir
Ouvi dizer que Adelmo vai apitar
Pelo jeito hoje o campo fica lotado
Capaz até de D.Percília invadir o gramado
Tem Barbosa e Palmeirinha hoje
Em todo sertão o clássico mais respeitado.


Atlético Delmirense em dois momentos(Rua dos Correios)
Times diversos em sua maioria com alunos do GVM.
Time dos meninos da rua Carlos Lacerda, anos 70

Palmeirinha: Inicio dos anos 70

Palmeirinha: inicio dos anos 70

Jornal Correio Delmirense(anos 60)

Time dos meninos da rua da Igreja da Matriz, 1971.

Unique- Time da Camisaria.

Time do Infante, 1980.

Para quem não viveu na Macondo Sertaneja naqueles anos é necessário uma espécie de glossário para esclarecer quem são as pessoas e lugares citados no texto poético do nosso colaborador. Vamos ao que interessa então:

O Edmo faz reminiscências ao tempo em que o futebol era uma das poucas coisas que havia para se assistir nas ensolaradas e quentes tardes de domingos delmirenses.

Palmeirinha um dos times mais antigos da cidade. Tinha este em nome em homenagem ao Palmeiras de São Paulo. E os seus uniformes eram idênticos. Hoje o bairro leva o seu nome.

Barbosa - Era o time de futebol da Rua Rui Barbosa. Seu uniforme era semelhante ao Fluminense do Rio de Janeiro. Numa referência ao Fluminense do RJ, que naquela época tinha um time espetacular, os torcedores do Barbosa só para torrar a paciência do turma do Palmeirinha dizia que o seu time era a MÁQUINA QUENTE, que era como a imprensa esportiva chamava o time carioca.

Campo do Agro: Campo pertencente à fábrica de tecidos da cidade.

Virgílio Gonçalves: Ainda vivo. Locutor do PRPC- Ponto Regional de Propagandas Comerciais. Era o serviço ainda existente de alto-falantes postados na praça principal da cidade. Coisa bem interiorana mesmo.

Dr. Luiz Torres: Já falecido. Dentista. E um dos patrocinadores e mais fanático torcedor do Barbosa. Morava em frente aos correios. E daí partia provocações e gozações para cima do

Seu Virgílio dos Correios: Este torcedor e incentivador do Palmeirinha. Mas o seu time profissional do coração era o Vasco do Rio de Janeiro. Mudou-se após alguns anos para Palmeira dos Índios(AL). Aposentou-se. E faleceu há poucos anos atrás. Nas imediações dos Correios era o local preferido para as grandes discussões futebolísticas da cidade.

Sacol: Creio que ninguém sabia qual era o seu nome verdadeiro. O apelido surgiu porque ele tinha sido funcionário de uma empresa que tinha este nome SACOL. Esta empresa participava de alguns serviços na hidroelétrica de Paulo Afonso. O Sacol era moreno extremamente magro e alto. Passava os dias a jogar bilhar. E era um apostador nato. Apostava em qualquer coisa. Vivia disto. Poderia certamente figurar como um personagem de Charles Bokowski.(para quem gosta de literatura beat sabe do que falo)

D.Percília: Era a dona do puteiro mais famoso da cidade. E vez por outra em momentos de comemoração de algum gol, ela adentrava em campo para abraçar os jogadores. Notadamente o maior craque: Bado.

Bado: Grande jogador. Tornou-se profissional já com idade adiantada. Jogou pelo ASA(Arapiraca),tinha a fama de ser um sujeito beneficiado pela natureza: Ou seja o cara era bem avantajado.(NB: esta informação nunca tive o menor interesse em comprovar.(risos). Aqui é apenas o registro histórico de um boato daqueles tempos. Ele foi o primeiro jogador delmirense a ser posteriormente contratado por um time profissional.

Bico Fino, Bado, Tonho de Eusébio, João Carlos e Gilmar eram os grandes craques da cidade.

Eu particularmente morria de amores pelo Palmeirinha. Morava vizinho a sua sede. E para meu desespero o time costumava perder as finais disputadas com o Barbosa. Hoje curto futebol apenas de forma bissexta. Somente Copa do Mundo.

E aí você lembrava disto tudo? E na sua cidade tinha algum clássico deste naipe? E será que você conheceu alguém com os dotes do Bado? E a Percília? E do Sacol você lembrava? Bem todos eles faziam parte do mundo underground delmirense. Os outros citados eram comportados pais de família.

Agora deixe o seu recado. E fica o desafio será que olhando para as fotografias acima você consegue identificar alguns dos craques? Olha que há desde times com infantes até barbados. Há alguma história sobre ele? Então conta por aqui. Socializa o conhecimento.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um mistério delmirense.Reabertas investigações do caso: Quelônio Salvador


Enquanto não chega material novo vamos resgatar um texto anteriormente postado. Lembramos mais uma vez que os antigos blogs tiveram problemas nos seus sistemas de comentários. Então a ideia é aos poucos ir inserindo todos eles por aqui.

Um Mistério Delmirense. Reabertas investigações do caso: Operação Quelônio Salvador

Texto publicado originalmente em 22 de outubro de 2005.

Mas uma colaboração enviada pelo Edmo Cavalcante(Maceió). O texto vem numa forma que poderíamos chamar talvez de prosa poética. Muito divertido. O protagonista dos fatos narrados pelo Edmo é mais uma vez é o Chefe dos Escoteiros, que foi o nosso professor de Matemática e Português nos idos de 1975/76.

Abaixo texto na íntegra do Edmo. Em seguida faço algumas considerações.

Maceió, 17/10-2005

Prezado César.

No Blogger1 você falou de uma história curiosa de penas de galinha enterradas no quintal do chefe e do desaparecimento de galinhas naquelas vizinhanças. Confesso que me diverti com a maneira como você fez tais comentários, afinal ladrão de galinhas em não raras vezes é um bom "ladrão". Mas de qualquer forma você me incentivou a tornar pública uma operação sigilosa chamada QUELÔNIO SALVADOR.

Ela aconteceu na nossa Delmiro em 1976. Espero que o qualitativo público do Amigos Blogger aprecie.

Um abraço
Edmo Cavalcante

OPERAÇÃO QUELÔNIO SALVADOR.

Os fatos ocorridos a mim foram narrados por um grande amigo bebericando caprichadas doses de Ron Montilla. Nesse dia ele estava bastante descontraído, não vou citar seu nome, apenas por precaução, vai que ele é intimada a depor na CPI do mensalão?

O tal causo é verdadeiro e aconteceu no nosso tenro sertão. Já faz um tempão. Ele me contou que de tanto ver o nosso professor(ele mesmo, o inoxidável CHEFE DOS ESCOTEIROS), reduzido a uma dura rotina alimentar se sensibilizou e resolveu agir. De quebra queria melhorar as notas em seu boletim.

O nobre professor que morava em um cubículo acompanhado apenas por um discípulo se restringia meses a fio a se alimentar de arroz com sardinha. Quem visitava a residência oficial do nobre mestre recorda muito bem daquela cena hilária e sombria: no fundo do quintal uma verdadeira montanha de latas vazia.

Mas tudo tem o seu dia. Meu dileto amigo se dirigiu ao professor:

- Chefe, aqui para nós, o seu vizinho o padre, tem criação de jabutis!
Ao que o nobre professor de olhos arregalados perguntou:
- Criação de jabutis ou de cágados?
- De jabutis!
Respondeu meu amigão.
-Então traga quantos você puder. Não importa se jabuti ou cágado, o que eu não agüento mais é comer enlatado!

Vale lembrar que o bom mestre que exalava um indiscreto bafo de sardinha também gostava de comprar fiado e chegou a ser considerado o terror das mercearias.

O meu destemido amigo não pestanejou, naquela mesma noite adentrou o quintal do padre para realizar o que se chamou de OPERAÇÃO QUELÔNIO SALVADOR.

No dia seguinte de vida nova e ânimo renovado, lá estava o nobre mestre de forma garbosa saboreando jabuti guisado de origem duvidosa.

O amigo do qual falo ainda me contou que a OPERAÇÃO QUELÔNIO SALVADOR aconteceu outras vezes e que só foi suspensa definitivamente quando o nosso professor de forma "carinhosa" foi convidado a se retirar da cidade pelas autoridades competentes.

Pelo CPD(Código Penal Delmirense) o crime já está prescrito. Mas nas nossas memórias afetivas e por pura gréia ainda cabe investigações e pesquisa de campo. Portanto: cabe aos CSI(investigação da cena do crime) ao trabalho!

Suspeitos: Roseirinha e Dedê. Ambos moravam na Vila Operária. No entanto eles pelo que me lembro não eram alunos do mestre. Então pela narrativa do Edmo estariam excluídos? O Ricarti também me contou também uma versão desta história inclusive citando nomes. Mas não lembro qual foi.

Cenário: O chefe morava nos fundos da casa de esquina onde ficava a sede da banda de música do Mestre Elísio(rua Rio Branco) e a casa do Padre ficava na esquina da outra rua( XV de Novembro)

Mesmo sendo difícil o processo de investigação após tantos anos. Como raramente vou a DG. Fica a sugestão para que os raros leitores daqui que aparecem por lá com mais freqüência que tentem resgatar quem foi o autor material da operação. A dica que dou é colocar o assunto em tela num debate ali nas mesas do bar do Jorge Camilo. Pois o bar fica por trás do Antigo Cine Pedra e bem próximo da cena do crime. Só não peça de tira-gosto nem sardinha e nem jabuti

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Loucos Delmirenses

Pegando o gancho de comentários na postagem anterior, aproveito para fazer o resgate após cinco anos(isto mesmo pessoal o blog já tem cinco aninhos. Raridade isto em termos de blog) de um texto sobre as figuras loucas(?) que perambulavam pelas ruas da nossa Macondo Sertaneja. São apenas alguns nomes. Mas havia outros. O desafio final é resgatarmos que outras figuras um tanto tristemente folclóricas ainda permanecem no imaginário coletivo.


DE MÉDICO E LOUCO TODO MUNDO TEM UM POUCO
Texto originalmente postado em: 14 de novembro de 2004.

Toda cidade tem algumas pessoas que fogem dos padrões “normais”, algumas delas são chamadas de loucas. No entanto cada uma delas tem uma história de vida. Geralmente desconhecemos a “origem de sua loucura”.

Na nossa infância ouvimos histórias a respeito dos loucos locais, e sentimos um certo temor destas pessoas. Há muita invencionice e folclore. Nada provado obviamente. Mas a tradição permanece e passa de geração a geração.

Da minha infância delmirense lembro-me de alguns:

CHICO DO BERIMBAU: Um rapaz moreno, magro, baixo e meio curvo, e que levava para todo canto um tosco berimbau. E ficava tocando-o encostado no ouvido. Quase não falava. Mas quando a meninada de forma perversa o apelidava de Tarzan ou Bilu Tetéia, choviam pedras para todos os lados. Diziam que ele foi trazido da cidade de Pão de Açúcar, e que por lá residiam alguns parentes seus. Eu particularmente morria de medo delo.
Ele costumava fazer seu ponto na calçada da casa do Sr. José Raul, ali onde hoje é o Banco do Brasil.

BAU :Tinha este nome por apenas balbuciar. Não falava nada inteligível. Fedia muito. Não tomava banho e andava maltrapilho. Periodicamente pegavam-no e davam um banho forçado. Mas era um doido-manso. Não metia medo. O grande divertimento era quando alguém passava próximo dele e falava: Bau dá um tiro. Ele respondia bem alto pêiiii pêiiii. Praticamente era a único som que conseguia pronunciar.
Ele geralmente ficava ali na Rua dos Correios, pelas proximidades da venda do Sr. Antonio Perna Santa.

AMÉRICO CARVOEIRO : Um senhor alto e barbudo. Suas roupas eram negras da fuligem do carvão que vendia. Fedia muito. Sua característica marcante era que ele tinha um excelente vocabulário. Falava muito bem. E não sei a veracidade. Mas ouvi muitas vezes minha mãe falar, que ele foi estudante de medicina. E que a sua loucura foi proveniente de uma desilusão amorosa! A sua figura metia medo na meninada. Ninguém mexia com ele. E quando passava pelas ruas, geralmente havia um certo temor da meninada.

SIVINHA :Era filho do Sr. Aristides Preto, morava naquelas casas que ficam por trás do prédio da atual prefeitura. Naqueles tempos, ali era um terreno baldio, e havia algumas algarobas. O Sivinha passava os dias consertando um carro de madeira. Ele era um sujeito forte e corpulento. Tinha o raciocínio de um criança de uns 5 anos de idade. E o seu sonho era tornar-se um caminhoneiro. Sempre falava que iria comprar um caminhão para viajar para S.Paulo. Seu apelido era Mussolino. E quando provocado além de falar um monte de palavrões, jogava pedras também.

MARIINHA: era filha do Zezinho Barbeiro, e morava quase em frente a minha casa, na Rua Augusta. Talvez não fosse louca, e sim apenas não tinha controle sobre a bebida. Pois quando isto acontecia, ela andava pelas ruas cantando em voz alta e levantando as roupas. A meninada se divertia com isto. Diziam que ela era uma pessoa que levava uma vida normal. E que havia ficado assim, após o rompimento de um noivado. Casamento já marcado e tudo. Estranho isto. A história dela era um pouco parecida com a do Américo Carvoeiro. Talvez os tempos realmente fossem outros. As pessoas perdiam o juízo por amor. Fato raro hoje em dia.

Estes eram alguns dos loucos que povoam as minhas lembranças delmirenses.Outros surgiram depois.

A Rouse Vilar, uma amiga do Orkut, conta por lá que na sua infância ela morria de medo de uma senhora chamada ISAURA, que andava pela rua do ABC, diziam que ela virava lobisomem. Portanto a Rouse se pelava de medo, quando a via.

O Monteiro Mafra, meu primo, lembrou ainda no primeiro site SOCORRO DOIDA, uma mulher que andava pelas bandas da Vila Operária, e que uma certa vez, matou um uburu e o cozinhou. Diz ele que foi um fedor infernal.

E aí será que há novos loucos na cidade? Conte uma história para gente.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lembranças Delmirenses: Iremar de Paula.

Drª Amélia, Ezequiel e Lenilda(colação de Grau no GVM)
Iracema na Rua do Desvio em outubro de 1973

O famoso João Costela e família.



O nosso blog tem oportunizado o reencontro via net de pessoas com as quais o contato há muito havia se perdido. E por estes dias tivemos a grata surpresa da visita com comentários do Iremar de Paula.

Fomos vizinhos de parede colada nos idos de 1970/72, na Rua da Matriz(aquela ao lado da igreja nova). Então eu ainda na casa dos meus avôs Augusto e Carlota, quando a família do Sr. Gabriel e D.Teté vindos de Caruaru(PE) chegaram na Macondo Sertaneja. Era uma família bastante numerosa: João, Iracema, Iremar, Ezequiel, Vavá, Acidália, Vânia, Erivan...
Durante algum tempo o seu Gabriel manteve um fabrico de pirulitos. Lembro-me ainda das pequenas formas de aço divididas em duas partes com uma pequena abertura para inserção do palito. Minha memória olfativa também consegue lembrar-se do cheiro adocicado que predominava quando o tacho estava no fogo com os ingredientes secretos (água, açúcar e acho que limão...)
O Iremar atualmente mora em Angra do Reis(RJ), onde trabalha como professor para crianças surdas e também é ligado as artes cênicas atuando como ator, e também é blogueiro. http://fiofofeliz.blogspot.com/

E hoje ele nos traz algumas fotografias dos tempos delmirenses e ainda acrescenta uma de um de seus/nossos antigos vizinhos: O João Costela.

Vamos ao texto enviado pelo Iremar.


Caríssimo,

Ezequiel, acompanhado por Lenilda, está recebendo o diploma. A professora é a Dra. Amélia, esposa do Dr. Petrúcio. Durante a festa, Ezequiel exagerou na bebida, entrou em coma e a professora necessitou chamar o Dr. Petrúcio para atendê-lo. Aliás, o Dr. Petrúcio foi meu professor de Programa de Saúde.
Lembro-me de uma aluna, acho que seu nome era Gorete, que faltara a aula e, na aula seguinte o Dr. Petrúcio aplicou uma prova oral. Gorete havia faltado a aula, mas estudara.
Quando o Dr. Petrúcio perguntou-lhe qual era a fórmula da água, ela respondeu de pronto: H20!! (agá dois zero) Foi aquela gozação. Mas o Dr. Petrúcio, inteligentemente, considerou a resposta como certa.
Você se lembra da professora Noélia, de História? Ela confiscou um gibi que eu estava lendo durante sua aula. Esquálidus - acho que era um lançamento da Disney. Confiscou e não me devolveu. O gibi, como a maioria do que eu lia, era emprestado. O garoto que me emprestou era filho do dono de um restaurante, localizado próximo do GVM. Infelizmente, não me recordo do nome dele. O livro custava, em moeda da época, duas entradas e meia no Cine Real. Felizmente, o garoto tranquilizou-me, dizendo que eu não precisava pagar. Eu não teria como.
Durante muito tempo, a professora Noélia desfrutou da minha “simpatia”.

Você decide como e quando postar, meu caro.

Um abraço.

Iremar de Paula.



Agora pessoal é com vocês.

domingo, 1 de novembro de 2009

Grandes Figuras Delmirenses: Zé Mulher (II Parte)



Complementando o texto anteriormente postado trazemos hoje material enviado pelo José Reginaldo conforme prometido nos comentários

Vamos ao que interessa.

Caro César,

Segue envio como comunicado anteriormente as imagens do inesquecível Zé Mulher, figura notável na sociedade delmirense.

Uma curiosidade dessa pessoa que tinha como oficio a arte da costura, é que mesmo o seu nome ser de fantasia onde na verdade se assinava José Manoel dos Santos, tinha em sua casa uma máquina de costura da marca LEONAM, o que coincidência ou não, é o seu nome de guerra ao contrário. Bem bacana não!

As fotos foram tiradas por mim mesmo ainda nos idos fins dos anos 1980 em sua casa, isso já no bairro Eldorado onde tinha se mudado da Rua Freitas Cavalcante fazia algum tempo.

Abraços.


Luis Reginaldo Silva

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Grandes Figuras Delmirenses: Zé Mulher e Nenén de Brasileiro.

Os nomes de Zé Mulher e Neném de Brasileiro são por demais conhecidos na nossa Macondo Sertaneja. E estas lembranças foram avivadas quando me deparo com a seguinte matéria no site Coisas de Maceió:

4ª edição da parada da diversidade sexual do alto sertão - Delmiro Gouveia em 19/10/2009
A cidade de Delmiro Gouveia, conhecida nacionalmente pelo empreendedorismo de seu fundador, realiza no próximo dia 08 de novembro a partir das 14 horas na praça de eventos, a 4ª edição da Parada da Diversidade Sexual do Alto Sertão Alagoano. Com o tema Ser Cidadão é Ter Seus Direitos
O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Ministério da saúde UNESCO, Fundação Delmiro Gouveia, Secretária da Mulher, Cidadania e direitos humanos, Rede Nordeste de Grupos LGBT.


Aproveito a oportunidade para resgatar mais dois textos postados nos primeiros blogs da série Amigos de Delmiro Gouveia.

Lembramos mais uma vez que os antigos blogs tiveram um bug nos seus sistemas de comentários que o provedor Globo não conseguiu resolver. E assim não aparecem mais na tela tudo aquilo que os leitores traziam de informações e que movimentavam o espaço. Os antigos comentários são visíveis apenas no gerenciador ao qual apenas eu tenho acesso. Os comentários ficam armazenados. Mas não fica o nome de quem o fez.

Mas vamos ao que interessa:



Um Certo Zé
Postado originalmente em 04 de novembro de 2004
Zé Mulher fantasiado de noiva e segurando o estandarte do Bloco do Pompeu. O bloco fez uma homenagem ao mesmo no inicio dos anos 80. O Zé veio a falecer pouco depois.


Falar sobre pessoas que obtiveram destaque no cenário social delmirense é fácil. Há muita gente talentosa. E certamente isto será falado por aqui no momento oportuno.

No entanto toda cidade tem seu lado underground. E seus personagens meio que execrados pelo senso comum mais conservador. No entanto estas pessoas fazem parte do acervo de recordações. E não acho justo esquecê-las.

E com a cidade de Delmiro Gouveia, não é diferente. Por isto este post é dedicado a uma dessas pessoas: Zé Mulher.

Zé Mulher era uma pessoa corajosa. Corajosa mesma. Porque alguém há 30 anos atrás em pleno sertão das Alagoas se assumir homossexual era um ato de ousadia e desafio. Pura coragem. Coisa para macho nenhum botar defeito.

Era um sujeito magro, moreno e meio calvo. Não tinha ares e nem jeito feminino. Carregava sim nos trejeitos e num andar meio rebolado e um tanto forçado. Lembro dele andando pelas ruas com passos rápidos, sorrindo e acenando para todos. Sempre havia alguém metido a engraçadinho a soltar um gracejo para ele. Mas ele respondia numa boa. E até gostava que mexessem com ele. Fazia parte do jogo de cena.

Costumava usar umas calças compridas desta bem justa no corpo, blusa em cores berrantes e com a barriga de fora e calçava uns tamancos. Ou seja, era algo caricato aos nossos olhos provincianos. Mas os leitores hão de concordar. Alguém se vestir assim naqueles tempos era negócio para cabra muito macho não?

Não sei em que ele trabalhava. Parece-me que costurava. E também que era um filho muito dedicado e cuidava bem de sua mãe. Também não sei em que rua morava. Talvez para os lados da Freitas Cavalcante.

Bem os anos passaram. E na última visita que fiz à cidade perguntei por ele. Disseram-me que havia morrido. Não perguntei de que.

Meu primo Tadeu Mafra, fundador do Bloco do Pompeu, grupo onde homens, cabras-machos mesmos saem vestidos de mulher pelas ruas delmirenses, contou-me que nos últimos anos de vida do Zé-Mulher sempre o convidava para ser destaque do bloco. Uma justa homenagem.

E foi o meu primo quem me cedeu a foto onde podemos ver este personagem delmirense. Pena que na fotografia vê-se o Zé já um tanto cansado e abatido. No entanto nas minhas lembranças delmirenses ele sempre será recordado pela sua forma esfuziante de ser.



Uma Lenda Viva em Delmiro Gouveia: Nenén de Brasileiro
Postado originalmente em 28 de setembro de 2005



No blog anterior há um post sobre o famoso Zé Mulher(falecido). Nada mais justo também fazermos uma homenagem ao não menos famoso Neném de Brasileiro. Afinal se assumir gay no final dos anos 60 e início dos 70 numa cidade nos confins do sertão nordestino é o cabra ser muito macho. É uma coragem e tanto desafiar os preconceitos. Afinal mesmo hoje passados tantos anos ainda impera em alguns círculos mais conservadores um certo ranço de preconceito.

Não sei se era impressão minha ou havia mesmo uma certa rivalidade entre o Neném e o Zé Mulher. Ambos fisicamente eram bastante diferentes. O Neném lembrava um pouco (ao meu ver) o Ronnie Von dos tempos da jovem guarda: cabelos negros e longos. E também tinha um certo ar feminino.

Aqui agora peço a colaboração dos leitores sobre os dados complementares sobre o nosso homenageado. Sei apenas que ele era filho do Sr. Brasileiro(vigilante do açude) e que morava para os lados da Pedra Velha.

As fotos deste post foram tiradas por mim no Bar Candeeiro em junho de 2002. Estávamos reunidos com parte da turma do GVM/1977 quando de repente entra o Neném. Um pouco mais velho, mas com a mesma esfuziante alegria de sempre. Pedi autorização e fiz o registro para a posteridade.

E aí o que você tem para contar sobre ele? Deixe o seu recado.

PS: aparecem nas fotos o famoso futebolista Tonho de Eusébio e o Cleninho(filho de Clênio Sandes) e a segunda foto a moça em pé é Núbia irmã do Rita e do famoso João Cambão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Pragas Delmirenses: Potós e afins


O post de hoje é proposto pelo Marcos Lima. Eu apenas complemento com mais duas imagens e um texto devidamente copiado do Wikipédia (vai que algum dos leitores não seja da Macondo Sertaneja e não entenda de que falamos).

Olá César,
Fiz essas duas imagens de Delmiro, uma aparece bem visível a serra de Água Branca.

Não sei se você já teve oportunidade de comentar no seu blog sobre as "pragas" de nossa Macondo, atualmente ela está infestada por GRILOS E POTÓS.

Forte Abraço

--
Marcos Lima

"Nada pode me fazer mal, a não ser que eu permita"



POTÓ
...“Inseto é muito conhecido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil onde é temido pois dentro dos seus fluidos existe uma substância - a pederina, que em contato com a pele do homem provoca necrose cutânea. O grande problema é que quando o inseto pousa sobre a pele da pessoa, esta inadvertidamente bate sobre o inseto contra pele, no intuito de matá-lo, justamente o bastante para a liberação da substância pederina, ocasionando assim as lesões de inflamação, formação de bolhas e feridas abertas, geralmente em áreas expostas do corpo, tais como braços, ante-braços, face e pescoço.
O potó é um inseto de hábito noturno por isso a ocorrência de sua queimadura acontece geralmente quando a vítima está dormindo. É no pescoço o local de maior incidência de lesões pelo fato do inseto possuir pequenas asas posteriores, fazendo vôos pequenos. Na face, pode provocar prejuízo maior se próximo aos olhos...”
Fonte: Wikipédia




As minhas lembranças dos tais potós foi uma tremenda queimadura que tive nas costas ao vestir uma camisa e não notar que havia uma peste destas passeando no lado interno da mesma.

Além dos potós havia um outro bichinho mais inofensivo mas não menos incomodo: Lacerdinhas. Quem não lembra deles caindo aos montes em cima das pessoas que ousavam passar por baixo das árvores que ficavam em frente ao Cine Pedra. E não sei porque mas roupas em tons amarelos exerciam um fascínio sobre eles.

Voltando aos potós: Será que o palavra “potocas” (que suponho que seja a fêmea da espécie) derivou a expressão “conversar potocas” para assuntos de menor importância?

Agora é com vocês.