terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Passeio sentimental pelas ruas delmirenses.(1)


Imagens de ruas sempre trazem interpretações diferentes. Para alguns vêm impregnadas de lembranças e saudades doídas. É quando a pessoa costuma falar: ah nesta casa de esquina morava fulano, naquela ali do portão azul era sicrana que morava. Outros ainda poderão dizer: jogávamos peladas, brincávamos de roubar bandeira, jogávamos futebol comprávamos doces e picolés, íamos estudar com beltrano naquela casa de janelas amarelas...

Para outros a interpretação se dá em cima das transformações urbanas ou até mesmo da ausência delas, é quando a pessoa pode confirmar apenas que passados tantos anos tudo continua como dantes no quartel de Abrantes.

Neste post trazemos algumas fotografias tiradas entre os últimos dias de dezembro de 2009, e primeiros dias de janeiro de 2010. E, quase todas foram feitas em horário de pouco movimento nas ruas, principalmente as realizadas na manhã primeiro dia de 2010, quando parte da nossa Macondo Sertaneja ainda dormia bastante cansada pela festa de chegada do ano-novo.

Então, os visitantes poderão seguir em qualquer direção. O legal é quando alguém nos visita e deixa registrada suas impressões.

Vamos ao que interessa.

Rua dos Correios(Jose Bonifácio). Nestas imediações ficava a bodega do seu Antonio "Perna Santa"
Rua dos Correios: numa destas casas morava os famosos jogadores de futebol: Gilmar de Neneco e seu tio Bado.
Parte do prédio dos correios. Onde morava o Seu Vírgilio, Genilson, Braúlio & Cia.

Rua que fica por trás da prefeitura e onde o Ailton Moreira residia
A casa do Ailton era uma destas ai. Não lembro mais qual seja.
Nesta casa/loja onde há pessoas na frente era a casa dos meus avós Augusto e Carlota, e aí morei de junho/69 até junho/72. A loja azul ao lado era a casa onde morou o Iremar Batista.
Rua atrás da prefeitura vista por outro ângulo. Na casa de esquina morava o Tingoré Boca Rica
Rua da Matriz vista de outro ângulo. Será que alguém consegue identificar todas as casas?

PS: e dentro do prisma do dinamismo e interatividade que os blogs representam nos processos de comunicação, o Braúlio Oliveira, nos remete uma imagem de mais de quarenta anos atrás e tirada de ângulo bastante próximo da terceira fotografia de cima para baixo(calçada dos Correios). E assim os leitores podem acompanharem e comparar as mudanças ocorridas.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Grandes Figuras Delmirenses: Vilela - Um Artista do Couro.

Vilela é uma figura popular e estabelecido na Macondo Sertaneja há bastante tempo. Não sei muito sobre sua vida pessoal. Mas o conheço de vista desde quando eu era criança e morava na Rua Augusta, e ele tinha o seu atelier bastante próximo. Ficava no beco que dava para trás da casa do seu Antonio Grande.(dono de um curtume e pai dos gigantes Dêda, Nino e Zedequias)

Vilela tinha então uma barba imensa. E sempre que passávamos correndo a brincar pelo beco, era possível vê-lo junto com um ajudante a produzirem chapéus de couro. Tanto que era chamado de Vilela do Chapéu de Couro. Mas sua produção ia, além disto: selas, sandálias, sapatos e botinas. Por vezes ficávamos na porta e espiar eles trabalhando com afinco: aparando arestas, costurando, dando acabamento. Eu sempre olhei com certa admiração este tipo de trabalho artesanal.

Agora em janeiro de 2010, em visita a cidade, eu estava na loja de presentes do meu amigo Edson Borracha (loja chamada carinhosamente por alguns de “Pequeno Paraguai em DG), quando reparei que havia uma oficina/atelier ao lado da loja. E perguntei ao Edson se ele se lembrava do Vilela que também trabalhava com isto. Ele respondeu: César é o Vilela!

Enfim. Fui até lá. Papeamos um pouco. Ele não se lembrava de mim de forma alguma. Afinal as lembranças que eu tinha eram de muitos anos atrás quando eu ainda era o que se chama de um “menino buchudo” e ele um adulto. Para criança sempre é mais fácil lembrar. Mas isto não foi empecilho para entabularmos um rápido papo. Ele foi bastante gentil, afável, explicitou seu trabalho muito bem e por e deixou-se fotografar junto com sua arte. E ainda rimos um bocado quando me lembrou do nome que dávamos as rústicas sandálias de couro: Xô Boi.

O Vilela não conserva mais sua imensa e famosa barba. No entanto a qualidade do seu trabalho permanece.

Recomendo ao turista ou antigo morador que quando na cidade arrume um tempinho e visite este artista delmirense. Seu atelier atualmente fica na rua por trás do antigo Cine Real. Ali bem pertinho do antigo cartório. Não tem como errar.

Vamos às imagens. E agora é com vocês.

O artista do Couro: Vilela e César.
Área de vendas do atelier: produtos em exposição. Destaque para os famosos chapéus
Área de vendas do atelier: produtos em exposição.
Instrumentos de trabalho: molde para chapéu.
Instrumentos de trabalho e produtos em processo de fabricação.
As famosas sandálias "Xô Boi ! "


PS: O legal num blog é sua interatividade. Após o texto postado surgem comentários. E comenta-se daqui....comenta-se dali e assim um assunto vai puxando outro e as lembranças vão aparecendo. E eis que após três dias da postagem original, vamos inserir imagens enviadas pelo Eduardo Menezes e que corroboram seu depoimento. Ou seja: o cabra mata a cobra é mostra a sandália.
Piranhas/junho 1976: Elias. Eduardo e Ricardo Menezes.
Piranhas junho/1976: O clã dos Menezes: Eduardo, Zito e Ricardo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Tâmaras em Delmiro Gouveia.

Hoje trazemos à baila um fato curioso ouvido nesta viagem recente a nossa Macondo Sertaneja. A historia nos foi contada pelo Marquinhos do Posto Aldo(atual secretário municipal de Meio Ambiente). O Marquinhos é uma pessoa bastante simpática, afável e disponibilizou parte do seu tempo conosco numa visita ao Parque Histórico da Usina de Angiquinho.

E durante o trajeto até Angiquinho ele nos contou sobre uns pés de tâmara que haviam sido plantados na Vila Operária. Tais tamareiras foram trazidas pelo pioneiro Delmiro Gouveia de quando numa viagem ao Egito.

Em sua narrativa o Marcos nos contava que elas foram plantadas nos quintais das casas de esquina da Vila Operária. As casas de esquina eram ocupadas preferencialmente por quem exercia cargo de chefia na fábrica da Pedra. E que quando criança na casa de sua avó ele comia tâmaras Estivemos visitando a casa de sua avó (uma senhora já quase nonagenária, bastante lúcida e super simpática) que mora na Rua José de Alencar, e ela corroborou a historia. No quintal de sua casa não havia mais a tamareira. Ela tinha sido infestada por cupins e foi derrubada e até mesmo os resquícios de tronco haviam sido retirados.

Fomos então até a outra esquina e no quintal desta casa havia sim uma árvore. Como a residência estava fechada, fiz duas fotografias de longe. Uma delas com uso do zoom.

Ele também nos contou que teve uma conversa com um professor da Universidade de Tel Aviv, que esteve visitando Delmiro. E o tal professor tinha ficado surpreso com o fato. Pois as tamareiras levam em média trinta anos para apresentarem frutos.

Eu não entendo absolutamente nada do assunto. Mas acho que o tema é interessante para os pesquisadores e curiosos sobre os fatos da terrinha. Seria interessante ouvir os relatos entre outros do David, Paurílio, Abrahão, Eduardo Menezes Paulo da Cruz, Eraldo, Danúbio, André...

Para mais esclarecimentos sobre o assunto sugiro uma pesquisa na net nos sites do Wikipédia ou no tâmaras.com.br, pois, por lá encontrei dados divergentes sobre a chegada das primeiras tamareiras ao país.
Quem estaria certo então?

Agora é com vocês.



domingo, 10 de janeiro de 2010

Amigos de Delmiro Gouveia: Encontro em Janeiro de 2010

Após cinco anos sem ir até a Macondo Sertaneja, eis que dei o ar da minha graça agora no final de dezembro e primeiros dias de janeiro. Passei sete dias por lá. E em se sabendo que estava na cidade, não é que os antigos colegas de turma do GVM resolveram promover um encontro que não estava programado dos AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA!

Mesmo após trinta e três anos de conclusão do curso ginasial, ainda é possível reunir parte da turma. Obviamente é bastante difícil reunir todos. Este foi o terceiro dos encontros que participei. Estive presente pela primeira vez em outubro de 1997(encontrodos 20 anos) e depois em junho de 2002(encontro dos 25 anos). Mas sempre que podem os que ainda residem na cidade ou que passam férias ou feriados por lá, encontram-se com maior freqüência.

As fotos das reuniões passadas podem ser encontradas no endereço www.amigosdedelmirogouveia.hpg.com.br , que foi o primeiro site da série e que deu origem aos blogs posteriores até chegar nesta versão atual.

Vamos espiar as fotos.
Calçada do Candeeiro Bar(janeiro/2010)

Papeando com o Márcio
Ni(seu irmão Nel não pode comparecer)César e Márcio
Edson Borracha, César, Tânia, Márcia e Patricia que havia chegado de Maceió há poucos instantes atrás e veio quase que direto para a festinha.
Cida,Rita, Graça,Tânia,César e Fatinha fizeram um brinde e cobriram o rosto de alguém!
Lalide apareceu!
César, Fatinha(nossa grande atriz e que ainda lembrava na íntegra suas falas na peça: Nêga Maluca) e o Cleiton
E o pessoal chegando e se abancando:Ritinha,Graça Padilha,Lalide,Borracha,Cleiton,Ricarti, Zezinho,Tânia e César
Cleiton dando um caloroso abraço no Marcio.
César entre Márcia e sua mãe D. Lacir(que foi nossa professora nos tempos de GVM)
Tânia(minha prima) com a guarda de honra feita pelos meninos: Edson "Borracha", seu irmão Ricarti, César, Zezinho e Cleiton.
Prazer imenso reencontrar os irmãos Márcia e Márcio. Márcia eu não tinha contato desde 1982 e Márcio desde 1977! O Márcio é uma destacada liderança sindical dos bancários em Alagoas e no nordeste.
Lalide anotando tudo no caderninho
Meus primos queridos: Tânia e Ricarti
Zé Pereira(Zezinho), Fatinha. Lalide,Graça Padilha, Neto(de Clênio),Ni(de Rosalvo Souza) e Cida (de George)
Rita, Fatinha, Cida,Graça, Márcio, Ricarti e Zezinho.

Entre Márcia Anjos e Patrícia Pedrão
Clube da Luluzinha: Lalide, Cida e Tânia.
Patricia chegando e causando o maior rebuliço
Entre Cida Lisboa e Tânia Mafra

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Usina Angiquinho (David Roberto)


Pessoal,

Olha aí que arretado! O David Roberto, um dos colaboradores do nosso blog, teve um artigo de sua autoria sobre a Usina de Angiquinho, publicado na revista Leituras de História, que está nas bancas. Para todos os aficionados pela história do pioneiro Delmiro Gouveia, é uma boa oportunidade de leitura.

Lembramos que para melhor visualização da imagem basta clicar sobre a mesma.

Aproveitamos para parabenizar o David pelo trabalho realizado.

PS: Hoje, 18 de janeiro de 2010, após a referida revista liberar a matéria na internet, fato este avisado pelo David(autor da mesma) via comentários, colocamos o link para leitura na íntegra do trabalho. Basta clicar aqui: Usina Angiquinho

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Futebol Delmirense: Craques do Passado


Aproveitando a proximidade do sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2010, e considerando também que esta semana termina o campeonato nacional, 2009, aproveito o ensejo e resgato mais um texto. Sendo que fiz compilação de algumas fotos publicadas em diversas postagens. No entanto há o mesmo fio condutor: Futebol Delmirense

O texto em forma de poesia abaixo foi enviado pelo Edmo Cavalcante((Maceió)

BARBOSA X PALMEIRINHA
Texto postado originalmente em 16/06/2005

Hoje tem futebol no campo do Agro
É Barbosa e Palmeirinha que vão jogar
Hoje vai muita gente lá para torcer
Virgílio Gonçalves já anuncio no PRPC
Hoje é domingo e tem Barbosa e Palmeirinha pra variar
Dr.Luiz já está pra lá e pra cá com bandeira do Barbosa no carro
Seu Virgílio dos Correios já falou que de qualquer jeito vai ver o seu
Palmeirinha ganhar

Sacol com certeza hoje vai apostar
Bico Fino, Bado, Tonho de Eusébio, João Carlos e Gilmar
Os eternos craques vão fazer suas jogadas e o público vai aplaudir
Ouvi dizer que Adelmo vai apitar
Pelo jeito hoje o campo fica lotado
Capaz até de D.Percília invadir o gramado
Tem Barbosa e Palmeirinha hoje
Em todo sertão o clássico mais respeitado.


Atlético Delmirense em dois momentos(Rua dos Correios)
Times diversos em sua maioria com alunos do GVM.
Time dos meninos da rua Carlos Lacerda, anos 70

Palmeirinha: Inicio dos anos 70

Palmeirinha: inicio dos anos 70

Jornal Correio Delmirense(anos 60)

Time dos meninos da rua da Igreja da Matriz, 1971.

Unique- Time da Camisaria.

Time do Infante, 1980.

Para quem não viveu na Macondo Sertaneja naqueles anos é necessário uma espécie de glossário para esclarecer quem são as pessoas e lugares citados no texto poético do nosso colaborador. Vamos ao que interessa então:

O Edmo faz reminiscências ao tempo em que o futebol era uma das poucas coisas que havia para se assistir nas ensolaradas e quentes tardes de domingos delmirenses.

Palmeirinha um dos times mais antigos da cidade. Tinha este em nome em homenagem ao Palmeiras de São Paulo. E os seus uniformes eram idênticos. Hoje o bairro leva o seu nome.

Barbosa - Era o time de futebol da Rua Rui Barbosa. Seu uniforme era semelhante ao Fluminense do Rio de Janeiro. Numa referência ao Fluminense do RJ, que naquela época tinha um time espetacular, os torcedores do Barbosa só para torrar a paciência do turma do Palmeirinha dizia que o seu time era a MÁQUINA QUENTE, que era como a imprensa esportiva chamava o time carioca.

Campo do Agro: Campo pertencente à fábrica de tecidos da cidade.

Virgílio Gonçalves: Ainda vivo. Locutor do PRPC- Ponto Regional de Propagandas Comerciais. Era o serviço ainda existente de alto-falantes postados na praça principal da cidade. Coisa bem interiorana mesmo.

Dr. Luiz Torres: Já falecido. Dentista. E um dos patrocinadores e mais fanático torcedor do Barbosa. Morava em frente aos correios. E daí partia provocações e gozações para cima do

Seu Virgílio dos Correios: Este torcedor e incentivador do Palmeirinha. Mas o seu time profissional do coração era o Vasco do Rio de Janeiro. Mudou-se após alguns anos para Palmeira dos Índios(AL). Aposentou-se. E faleceu há poucos anos atrás. Nas imediações dos Correios era o local preferido para as grandes discussões futebolísticas da cidade.

Sacol: Creio que ninguém sabia qual era o seu nome verdadeiro. O apelido surgiu porque ele tinha sido funcionário de uma empresa que tinha este nome SACOL. Esta empresa participava de alguns serviços na hidroelétrica de Paulo Afonso. O Sacol era moreno extremamente magro e alto. Passava os dias a jogar bilhar. E era um apostador nato. Apostava em qualquer coisa. Vivia disto. Poderia certamente figurar como um personagem de Charles Bokowski.(para quem gosta de literatura beat sabe do que falo)

D.Percília: Era a dona do puteiro mais famoso da cidade. E vez por outra em momentos de comemoração de algum gol, ela adentrava em campo para abraçar os jogadores. Notadamente o maior craque: Bado.

Bado: Grande jogador. Tornou-se profissional já com idade adiantada. Jogou pelo ASA(Arapiraca),tinha a fama de ser um sujeito beneficiado pela natureza: Ou seja o cara era bem avantajado.(NB: esta informação nunca tive o menor interesse em comprovar.(risos). Aqui é apenas o registro histórico de um boato daqueles tempos. Ele foi o primeiro jogador delmirense a ser posteriormente contratado por um time profissional.

Bico Fino, Bado, Tonho de Eusébio, João Carlos e Gilmar eram os grandes craques da cidade.

Eu particularmente morria de amores pelo Palmeirinha. Morava vizinho a sua sede. E para meu desespero o time costumava perder as finais disputadas com o Barbosa. Hoje curto futebol apenas de forma bissexta. Somente Copa do Mundo.

E aí você lembrava disto tudo? E na sua cidade tinha algum clássico deste naipe? E será que você conheceu alguém com os dotes do Bado? E a Percília? E do Sacol você lembrava? Bem todos eles faziam parte do mundo underground delmirense. Os outros citados eram comportados pais de família.

Agora deixe o seu recado. E fica o desafio será que olhando para as fotografias acima você consegue identificar alguns dos craques? Olha que há desde times com infantes até barbados. Há alguma história sobre ele? Então conta por aqui. Socializa o conhecimento.