sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Delmiro Gouveia: Nos tempos do ônibus de Zé Balbino.

Em antigos textos deste e dos blogs antecedentes falávamos sobre as dificuldades que se tinha para ir de Delmiro Gouveia/Al a Paulo Afonso/BA: desde a estrada que não era asfaltada como também a ausência de linha regular de ônibus.

Quem tinha algo para resolver na adiantada cidade vizinha, seja buscar algum atendimento médico no hospital da Chesf ou até mesmo comprar algum produto mais elaborado que não havia nos estabelecimentos macondianos tinha que se valer dos préstimos dos motoristas de rurais ou do famoso ônibus de Zé Balbino.

E para aquelas gerações de delmirenses mais novos que apenas ouviram falar de tal ônibus e achavam que era apenas uma lenda urbana, eis uma fotografia cedida pelo nosso leitor Chico de seu Nozinho(Chico´s Bar), onde aparece três coisas bem interessantes:

• O famoso ônibus (antes dele teve outro na cor amarela e portando apelidado de “febre amarela” (este não cheguei a ver. Mas dizem que era um antigo veículo escolar americano);
• A rural do Lula Cabeleira. (segundo Chico);
• E um ponto famoso que foi demolido: O Abrigo de Mané Bispo.

Agora é com vocês. Será que há alguma historia interessante que você lembre e que envolva algum dos envolvidos? Partilhe então suas lembranças conosco.


Parte do Centro de Delmiro Gouveia: final dos anos 60 ou inicio dos anos 70.(foto cortesia de Chico  de Nozinho)

domingo, 8 de janeiro de 2012

2012- Chico´s Bar abrindo seus arquivos delmirenses

Eis 2012, e por enquanto o mundo ainda não acabou e nem o nosso blog !(em suas mais variadas versões vai entrando em seu décimo ano se incluirmos a velha página ainda em formato hpg-está foi retirada do ar pelo provedor).

E após quase dois meses sem nenhuma postagem nova, vamos retomar aos poucos a saga de falarmos da nossa “Macondo Sertaneja”.

Agora nos final de dezembro/2011 e primeiros dias de janeiro/2012, estive por cinco dias na terrinha para visitar parentes e amigos. Aproveitei e fiz algumas imagens que postarei na medida do possível. Nenhuma grande novidade. Apenas retomando temas já falados.No entanto para minha alegria no dia da volta, quando já nos preparando para pegar estrada, eis que chega na pousada onde estávamos hospedados o Gilmar de Neneco(receberá um post em sua homenagem em breve), Rubinho e Chico de Seu Nininho. E o Chico apareceu com um envelope com algumas fotografias bastante interessantes. Obviamente foram feitas imediatamente copias das mesmas.

E assim, aos poucos, vamos postando. Algo engraçado eu pergunto: “Chico qual o seu sobrenome para colocar nos créditos ? Ele responde: Coloca “Chico´s Bar” que é como todo mundo me conhece mesmo”.
Vamos então ao que interessa. E depois conto com os comentários dos abnegados leitores/visitantes.

Chico mostrando para César velhas fotos delmirenses(jan/2012)
Dr. Serpa com sua irmã Socorro. Baile de Formatura. Dr. Serpa foi  prefeito de DG nos anos 70.
Eis uma rara imagem:  Alfredisio Menezes(primeiro prefeito de DG), Chico Serpa ainda  garoto, Natércia Serpa(educadora de gerações de delmirenses), Dr. Antenor Serpa(também foi prefeito em DG) e D.Oga.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Quando o Mundo Iria se Acabar" (Delmiro Gouveia anos 70)




Aproveitando que estamos chegando próximo ao final de 2011. E considerando o que dizem as lendas dos antigos povos  Maias ( e os cineastas de Hollywood ) que o mundo se acabará em 2012, estamos trazendo um texto postado em abril de 2005, ainda no primeiro blog da série Amigos de Delmiro, onde relembrávamos que no inicio dos anos 70, "o mundo também iria se acabar".



Ou seja: este negócio de fim do mundo é meio cíclico. Em todo caso estamos avisados. O mote originalmente foi dado por um poema do Edmo.  Vamos ao que interessa.


Valhei-me
Para: Tia Helena
Autor: Edmo Cavalcante.

Valhei-me minha Nossa Senhora
Chegou por esta região
Uma notícia de arrepiar
Por uma boca só o povo tá falando
Na feira outro assunto não se dá atenção
Se pegue com Padinho Ciço e Nosso Senhor
Se quiser escapar dessa
Pelo que o povo dia esse um conselho de Frei Damião
Corre logo na feira não perca tempo não
Compre uma cruz de palha
Pregue na porta de sua casa
Reze o terço completo
Se pegue com tudo que é santo que o valha
Compre também carvão
Enterre bem no chão.
São três pedaços. Não esqueça de fazer uma oração
O carvão é prá enterrar na cozinha.
Se não tiver jarra pode embaixo da quartinha
Valhei-me Minha Nossa Senhora que noticia desmantelada
Veio chegar por esse sertão
Pode até ser boato
Mas é bom se cuidar: muita reza, cruz de palha e carvão
É melhor não confiar.


O texto acima é do Edmo Cavalcante. O fato narrado em forma poética é verdadeiro. Eu lembro perfeitamente.

Naqueles tempos (início dos anos 70), o misticismo ainda era muito grande no sertão. E não se sabe de onde surgiu o boato que o mundo iria se acabar. Diziam que o Frei Damião tinha dito que a casa que não tivesse três pedras de carvão embaixo do pote na cozinha estaria condenada. E tome gente a arrebentar o piso e cavar em busca destas pedrinhas. Como se não bastasse a lenda que do ano 2000, ninguém escaparia.

Era lenda. Um terrorismo danado para nossas cabecinhas infantis.  Nesta época eu morava na casa dos meus avós maternos. E por eles não embarcaram nesta onda não. Foi um dos poucos.

No entanto, salvo engano, o Edmo traz uma versão um pouco diferente. Creio que não era para comprar o carvão. Era para que em cada casa, se cavasse embaixo do pote(jarra) e teria que se encontrar três pedras de carvão. E com estas pedras fazer uma cruz na parede frontal da casa. Assim este lar estaria protegido contra o fim do mundo. E se não tivesse pote que se cavasse embaixo do local onde ficava a quartinha (um pequeno vasilhame de barro onde se colocava a água para esfriar).

As cruzes de palhas de coqueiro eram utilizadas em outra ocasião. As pessoas no Domingo de Ramos, levavam palhas para serem abençoadas pelo padre na hora da missa.  E com estas palhas confeccionavam pequenas cruzes, bem simples, e as colocavam coladas na porta da frente. Desta maneira ficariam livres de todos os males. Amém.

E aí você ainda lembrava destes fatos? Ou ao menos ouvir falar disto? Será ainda é possível se encontrar nas portas das casas mais simples a cruz de palha? Ou este costume também se acabou? E você que não morava em Delmiro Gouveia, conhece alguma lenda urbana como esta?  Você também tinha medo que o mundo se acabasse no ano 2000?

Deixe seu recado. Participe.

O famoso Frei Damião

Praça Padre Cícero em Delmiro Gouveia
Neste pequeno ponto comercial onde as pessoas estão em frente era a residência dos meus avós maternos.
Edmo Cavalcante é o número 2.  Rua do ABC. Inicio dos anos 70. Será que os garotos discutiam  os destinos do mundo? 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sugismundo ( tempos delmirenses/ anos 70)

Resgatando mais um pequeno texto do primeiro blog (Sugismundo em novembro de 2004). O tema se concatena com o post anterior (Lixão em Delmiro Gouveia/ por Profª Jane Cleide dos Santos)

E o bom da internet é o seu dinamismo. Quando da postagem original não existia ainda o Youtube. Mas graças a esta ferramenta, nossa antiga postagem ganha movimentação. E sendo assim trazemos à baila novamente o velho personagem do Sugismundo.


Sugismundo.
Texto originalmente postado em 11/novembro/2004.

Televisor preto e branco. Em cores ninguém na cidade ainda possuía. Quem não corria para a sala quando ouvia a voz do Sugismundo?
O Sugismundo era o protagonista das campanhas educativas, incentivando higiene e limpeza, lançadas pelo governo federal.
Creio que naqueles tempos bicudos de ditadura militar, talvez ele fosse a única coisa suave, engraçada e simpáica.

Saudades do Sugismundo.

E aí você ainda lembrava-se dele?  Então agora matemos nossas saudades revendo antigos vídeos. E depois que tal deixar o seu comentário?  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

" Por Um Planeta Sustentável " (projeto trabalhado em escola delmirense)

Navegando pelo Orkut vejo no álbum de uma pessoa amiga umas fotos bem interessantes feitas num lixão em Delmiro Gouveia. Solicitei autorização para reproduzir no blog. Mas entrando em contato com a autora, sugeri que além das fotografias ela bem que poderia fazer um texto para situar os leitores do nosso blog. Ela topou a ideia.  E hoje a postagem fica por conta da professora Jane Cleide dos Santos.

Vamos ao que interessa:


Por um Planeta Sustentável”
 Texto e imagens de autoria de Jane Cleide dos Santos.

Meu nome é Jane Cleide Santos, sou pedagoga com Especialização em Educação Infantil e Alfabetização, sou professora há mais de 20 anos e dou aula em duas escolas públicas, uma estadual e outra municipal, ambas localizados em bairros periféricos, na cidade de Delmiro Gouveia, no Sertão Alagoano.

A escola onde foi desenvolvido o projeto em tela chama se Escola Municipal Eudócia Vanderlei Sandes. É uma turma de 4º ano, 22 alunos que apresentam dificuldades para ler e escrever e em sua maioria fora da faixa etária para o respectivo ano escolar. O bairro onde está localizada a escola chama se Área Verde, o mesmo teve início a partir de invasões dos terrenos desocupados pertencentes à viúva do Sr. Antônio Carlos de Menezes, antigo proprietário da única Fábrica Têxtil da cidade, hoje “Fábrica da Pedra”, onde já havia um enorme lixão que ainda hoje existe e é de lá que muitos dos pais de alunos tiram o seu sustento e até mesmo muitos dos nossos alunos ajudam os seus pais.

O Projeto “Por um Planeta Sustentável” nasce não apenas para cumprir um roteiro de conteúdos pré estabelecidos no início do ano, mas com o objetivo de proporcionar uma reflexão acerca da realidade que cerca aos nossos alunos, como também repensar o comportamento de cada um de nós, diante da problemática mundialmente discutida que é a convivência do homem com o meio ambiente, progredir em harmonia com o planeta, buscar meios sustentáveis que proporcionem qualidade de vida todos nós, ao mesmo tempo questionando os direitos e os deveres dos catadores que buscam o seu sustento no lixão sem proteção alguma esquecidos pelas autoridades locais.

O projeto teve início com a leitura dos textos – Os problemas ambientais na cidade; A ocupação desordenada dos espaços urbanos que trás como conseqüência a poluição do ar, do solo e da água, encontrados no livro didático de ciências que utilizo com eles. Outros textos também foram estudados, como a decomposição dos materiais e o papel do cidadão. Após as leituras e debates realizados em sala de aula, fomos visitar o lixão que está situado muito próximo da escola e presenciar o trabalho dos catadores, que disputam o lixo entre si e até mesmo com animais, em condições desumanas, como mostram as fotos em anexos, assistimos ao curta metragem Ilha das Flores.

Trabalhamos não apenas ciências, mas todas as disciplinas, e por ser um tema transversal, perpassa por todas elas de maneira satisfatória.  Confeccionamos brinquedos reaproveitando restos de papeis, o baragandão, dramatizamos o Rap da limpeza (o texto encontra se em anexo), a música “jogue o lixo no lixo”, os alunos confeccionaram as fantasias para as apresentações que aconteceram no pátio da escola, com sacolas de supermercado que trouxeram de suas casas; fizeram os detergentes biodegradáveis, receitas pesquisadas por mim na internet e ensinaram aos pais como fazer. Investigamos também que tipo de lixo produzia a escola e sua quantidade, construímos gráficos e cartazes com os resultados.

A culminância se deu com a apresentação e exposição de todo material estudado e  analisados pelos alunos, com as dramatizações construídas por eles sob a minha orientação, tal projeto teve a duração de três semanas, ao final foi feita uma avaliação geral da sala e uma auto avaliação que buscou detectar como se deu a participação de cada um.
O que ficou claro após estas avaliações e analise dos registros feitos durante o desenvolvimento do projeto, que constituíram a memória do projeto, foi que este tipo de trabalho envolve toda a sala e dá ao professor subsídios para repensar sua prática pedagógica. 
Alunos, sob supervisão de adultos, encaminhando-se para aula de observação  no lixão.
Alunos atentos ouvindo as explicações sobre o que se veria logo em seguida.
A caminho do lixão
Chegando ao lixão(umcontraste interessante a degradação ambiental  e ao fundo uma  bela paisagem circundada por  serras)

Chegando ao lixão
animais soltos circulam pela área.
Trabalhando no lixão(homens e urubus no mesmo espaço)
Habitação improvisada pelos trabalhadores do lixão
Vidros separados para reciclagem.
Nota-se habitações bastante próximas do lixão.
Um dia de rotina: lixo abundante, homens e animais.
Máquina tentando impor alguma "ordem" no lixão.
O trabalhador lembra vagamente um espantalho.
De volta a escola: trabalhar o que foi observado.
Um grupo de alunos prontos para uma representação teatral diante dos olhares atentos dos demais
Outra atividade lúdico-educativa com o tema visto in loco. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Kichute. Eu tive um. E você?(memórias dos tempos em Delmiro Gouveia)


Resgatando mais uma postagem do primeiro blog da série. É bom lembrar sempre que o nosso blog usa deste expediente de trazer velhos textos nos períodos de entressafra ou seja na ausência de material novo. E como os antigos blogs podem a qualquer momento serem desativados pelo provedor, não seria muito interessante perdermos parte dos nossos antigos paleios.  Portanto hoje falaremos novamente sobre o velho e bom par de kichutes.


Kichute. Eu tive um. E você?
Texto originalmente postado em 10 de novembro de 2004.

Isto é um kichute. Lindo o design não?

Apenas uma chuteira com travas de borracha. Duro que só a gota serena. E pensar que isto já foi moda. Quem não calçou um destes nos anos 70?

No colégio fazia parte do uniforme. Acredite se que quiser, tinha gente que ia para os saraus ou bailes nos clubes delmirenses calçado com um bicho destes. E ainda abafava (gíria de época).

Nestes tempos de grifes e tudo que é marca olhar para o passado torna-se hilário. Ele nos assombra por vezes.


Era um tanto charmoso amarrar os cadarços na canela. 
Desfile de 7 setembro em Delmiro Gouveia: alunos do GVM. Eis quem aparece nos  pés dos garotos? (foto cortesia de Adailton)

 PS:
Aproveito e trago um comentário feito no antigo blog. Os outros comentários foram perdidos.

Caro Cesar,

Quanta criatividade recheada de humor e muita nostalgia,confesso q qdo ganhei meu primeiro kichute,fiquei tão empolgado q programei até o dia de calçá-lo,na realidade foi numa tarde de domingo,onde na ocasião fui para o matinê no tb inesquecível cine pedra, rs rs rs. 

Ednaldo Pilão | Email | 25-06-2008 15:21:48 

Comercial feito pelo craque Zico

sábado, 24 de setembro de 2011

Biotônico Fontoura (tempos em Delmiro Gouveia)



Na falta de material novo, vamos intercalando o resgate de antigos textos. E como na postagem anterior a temática bebida(cuba libre) rendeu alguns comentários, trazemos,hoje,então outra bebida famosa: BIOTÔNICO FONTOURA.  O texto originalmente foi postado em janeiro de 2005, no primeiro blog da série Amigos de Delmiro Gouveia.  Aproveitamos também para deixar a postagem mais coloridazinha e inserimos imagens antigas do produto pesquisadas na net.

Vamos ao que interessa.



Você bebeu também?
Texto de César Tavares em 26/janeiro/2005

Criança sem apetite. Tome Biotônico Fontoura. Já tomei muito. Comprado ali na Farmácia do Sr. Quizinho. Havia apenas duas farmácias na cidade. Não tenho mais certeza do nome do dono da outra farmácia. Parece-me que era Seu Ivo.

Hoje tem um monte de farmácias na cidade. Não sei se melhorou o nível de saúde ou o poder aquisitivo da população. Ou seria apenas pura mercantilização.

Em dias de eleições, quando era(ainda é) proibido vender bebidas alcoólicas, os rapazes mais taludos compravam o Biotônico. O bicho tinha um teor de álcool razoável. Excelente substituto. Não havia necessidade disto. Ninguém era tão dependente de substâncias etílicas assim. Pura exibição para os colegas. Um desafio meio bobo. Coisa de adolescente. Perdoável.

No início do ano as farmácias distribuíam gratuitamente os famosos  “Almanaque  Biotônico”. Os mesmos traziam uma série de informações: fases da lua, mezinhas domésticas, piadas infantis, palavras cruzadas simples, adivinhações, tábuas de marés( no sertão era um dado bem útil para se ter) e outras coisas mais.
Nunca mais vi o Almanaque. Será que ele existe ainda? Sei apenas que eu o lia. E gostava.





E aí você também tomou Biotônico? Tomou para melhorar da fraqueza e anemia ou para encher a cara mesmo? Confesse. E as novas gerações já provaram alguma vez daquele gostinho de vinho? Até que descia bem ou não?  Conte aqui o seu causo.

Mas antes  que tal matarmos nossas  saudades  revendo este antigo comercial ?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cuba Libre (lembranças da Macondo Sertaneja)

Dando continuidade aos resgates de antigas postagens, trago um texto de nov/2004, customizando com imagens também já publicadas.


Cuba Libre
Postado originalmente em 18 de novembro de 2004, no primeiro blog da série “Amigos de Delmiro Gouveia”

Por volta dos quinze ou dezesseis anos de idade, era quando o rapaz ou a moça começava a freqüentar os bailes ou saraus delmirenses, que rolavam no Clube Vicente de Menezes ou no Palmeirão. Ora indo-se a bailes é natural o primeiro contato com bebidas.

O primeiro gole de cerveja na vida ninguém esquece. Aquela coisa amarga descendo pela garganta, e a pessoa fazendo cara de quem está gostando.

O que não se faz para bancar o adulto. Fingir faz parte da coisa. É o ingresso para o mundo dos adultos. Aqui começa o longo aprendizado da hipocrisia. Depois é natural na espécie humana o contínuo aperfeiçoamento desta arte.

No entanto o primeiro gole de cuba-libre, não parecia ser tão desagradável assim. Talvez pelo acentuado do refrigerante disfarçando o sabor acre do rum. Tudo bem, no dia seguinte, geralmente, batia uma tremenda dor no fígado e na cabeça.

Com o passar dos anos alguns vão refinando o paladar para bebidas. Ou até abominando as mesmas.

Eu, particularmente, bebo pouquíssimo. E há uns 23 anos que não tomo uma Cuba Libre. Mas ainda lembro-me da primeira vez que bebi. Saudade. Politicamente incorreta, mas mesmo assim saudade.

E aí você lembra do seu primeiro gole? Onde aconteceu? No Vicentão? No Palmeirão? No bar do Carioca? No bar Caracol? No bar do Maninho Cabeção? No bar do Lula Braga ou no bar da Tripa?

E o dia seguinte como foi? Conte aqui sua historia de iniciação etílica.

Uma turma no Clube Palmeirão em meados dos anos 70. O litro de rum se faz presente. Estariam os rapazes bebendo entre outras coisas uma cuba libre? 

Receita de Cuba Libre

Ingredientes:

1 limão
2 doses de rum leve
Coca-Cola ou Pepsi Cola

Modo de preparar:
Esprema o limão num copo e deixe cair as metades da fruta. Soque-as e junte cubos de gelo. Adicione o rum e complete com a Coca-Cola ou Pepsi. Mexa bem e sirva.

Interessante em blogar é que sempre podemos ir acrescentando algo. Após alguns comentários e após quatro dias da postagem original, eis que lembro de uma imagem que resgato do Amigos de Delmiro Gouveia 2 e postada em janeiro de 2006. Texto completo no link http://www.amigosdedelmirogouveia2.blogger.com.br/2006_01_01_archive.html

É uma fotografia de outubro de 1977, aniversário de Antônia(Tonha),colega de turma do GVM e que morava na rua Freitas Cavalcante. Nesta imagem, creio que o vasilhame que esta com o rótulo virado seja de um litro de rum.E o copo que eu seguro nas mãos, certamente era uma cuba libre. Ou não(diria Caetano). Em tempo: nesta época eu tinha apenas 15 anos de idade. Ou seja: os comentários apostos até então batem com "moral vigente"
Aniversário de Tonha/Outubro/1977. Em frente de um casa na Rua Freitas Cavalcante em outubro de 1977. Da esquerda para direita:
Cícero Barbosa, Danúbio Oliveira, João "Tubiba, Simone Souza, Zé Humberto, César, Zé Luiz "Carioca" e Evalda Freire.Ao centro seria um litro de rum? E nos copos?
Mesmo dia e local: Começando com o pessoal que aparece sentado:
Simone, Tonha(aniversariante e com um copo com líquido escuro. Seria uma cuba libre?), Ana  Barros, César, Lalide, Cícero, Dr. João, Alda Brandão, Carlinhos, César,Danúbio, Vilma Nóia, Márcia, Santina Oliveira, Márcia Rejane, Nair, Ângela, Evalda, Vera Ferraz, Fernado Aldo(in memorian),Ivonete(filha de Zizi da Tipografia, Zé Humberto e Carmem Petrauskas(filha de Galego do Cine Real)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Mosca de Delmiro Gouveia (sob autorização de Pedro Santos)




A postagem de hoje foi publicada originalmente no site www.overmundo.com.br, e a reproduzimos aqui com a devida autorização do autor do texto: Pedro Santos (Florianópolis SC)

O Texto fala sobre o Tirone Feitosa, filho do Joval Rios e Durvalina e irmão da  Hermância que foi nossa colega de turma no Ginásio Vicente de Menezes.


Logo em seguida para enriquecer ainda mais o material autorizado, estou inserindo vídeo pesquisado no youtube onde o Tairone fala sobre o “Circo de Leituras Joval Rios”. E aproveitando ilustramos também com imagens de cartazes de filmes em que o Tairone foi seu principal roteirista.

Vamos ao que interessa.







Olá, César,

Está liberado o texto "A mosca de Delmiro Gouveia". Depois me mande o link do blog.

Um abraço,
Pedro.



A Mosca de Delmiro Gouveia
Texto de Pedro Santos. 





No pequeno município de Delmiro Gouveia, localizado no sertão alagoano, mora um senhor idoso cujas barbas brancas indicam a idade que ele não revela. Com certeza, mais de sessenta. Hoje ele anda tranquilamente pelas ruas da cidade onde poucos se lembram, como lembravam anos atrás, da celebridade de nome Tairone Feitosa Pereira, que já foi roteirista da Globo e escreveu filmes para cinema.



É assim, cinematograficamente, que fatos na vida do ilustre habitante de Delmiro Gouveia foram acontecendo. Seus pais, que trabalhavam no circo, escolheram o nome do filho pela admiração a Tyrone Power, ator norte-americano que atuou nos anos 40 e 50 em filmes como “A Marca do Zorro” (1940) e o “Cisne Negro” (1942). Com nome de ator famoso, mas pouco dinheiro no bolso, o Tairone tupiniquim deixou a pequena cidade alagoana para seguir para o Rio de Janeiro.  Como cresceu no circo ao lado do pai, que era palhaço, e da mãe cantora, Tairone aprendeu desde pequeno que a dinâmica do picadeiro servia para quase tudo na vida. “O circo não é como imaginam. É uma comunidade fechada em que as pessoas trabalham demais, sempre embaixo de uma fofocaiada inimaginável. Mas tem uma coisa interessante. As pessoas podem se odiar no dia a dia, mas vão fazer um número juntas. Até mesmo porque boa parte das apresentações exige cooperação. Assim também aconteceu comigo.” No final dos anos 70, ele conheceu Ruy Guerra, de quem logo se tornou amigo quando o cineasta moçambicano o convidou para escrever um roteiro sobre a Guerra de Canudos. O projeto não deu certo para Tairone, que abandonou o roteiro no meio. Mas a fama de que escrevia bem em uma época de sucesso absoluto da comédia pornô nos cinemas brasileiros se espalhou. E ele topava qualquer coisa desde que não fosse escrever filmes que “tinham mulheres nuas loucas pra dar”. Então vieram “J.S. Brown, o Último Herói”, “O Homem da Capa Preta”, “A Dança dos Bonecos”, “Luzia Homem”, “Ele, o Boto”. Todos nos anos 80, época em que começou a trabalhar na Globo, produzindo roteiros para séries de televisão como “Rabo-de-Saia”, em que dividia o script com Tom Zé. Até que a vida foi ficando agitada demais para Tairone, e, tão rápido como decidiu ir ao Rio de Janeiro nos anos 70, resolveu voltar para Delmiro Gouveia. Dessa vez como celebridade. “Eu não podia andar na rua que todo mundo me conhecia. Cidade pequena, né? Estava só esperando para ser chamado para alguma coisa. E não é que não demorou nada?” Dias depois, o cidadão honorário do município de Delmiro Gouveia foi convidado para assumir a Secretaria Municipal de Cultura e Esportes. O desafio era novo e ele aceitou logo. Só não deu para ficar muito tempo. “Recebi oito propostas de suborno nos 43 dias em que fiquei no cargo. Daí fui conversar com o prefeito e disse pra ele estava quase chegando no meu preço. Então saí”, explica entre baforadas de cigarro Malboro vermelho. Tairone tomou a decisão de não fazer mais nada na vida dependendo de governos. Virou, na própria definição, um ING - indivíduo não-governamental – e criou o que ele, imodestamente, chama de maior empreendimento cultural das Américas: “O Circo de Leituras Joval Rios”. “Peguei meus livros, armei uma biblioteca e agora meus meninos vão lá todo dia, ler livros, ver filmes, conversar, ouvir músicas, jogar conversa fora, discutir coisas sérias ou dizer besteira. Meus meninos gostam muito de lá e eu não dependo da prefeitura.” De “meus meninos” ele chama jovens e adolescentes carentes da cidade que freqüentam o circo de leituras. Em 2004, quase vinte anos afastado das artes cinematográficas, Tairone escreveu, em parceria com Ruy Guerra, o filme “O Veneno da Madrugada”, e ganhou, para sua alegria e auto-referência ególatra, seu nome no Imdb (The Internet Movie Database – o maior banco de dados de cinema e televisão da internet). Hoje, ele vive da aposentadoria, do centro cultural que criou e dos cigarros que fuma de quinze em quinze minutos. Até parece que a fonte para a filosofia de Tairone surge da nicotina. A cada baforada, uma sentença nova: “A ignorância faz parte da vida. A cada ignorância que você elimina, surgem novas ignorâncias imediatamente. Sempre nessa batalha entre o que você quer e o que você não sabe”. Isso, antes de anunciar que os “níveis de nicotina em meu sangue estão perigosamente baixos”, precede uma definição existencial da própria vida: “Eu sou meio como a mosca. Se você prender uma abelha numa garrafa ela não sai. Mas se você prender uma mosca, pode ter certeza de que ela vai sair”. E assim, como um zumbido, ele acende um novo cigarro. 

PS:

No link abaixo há um vídeo bastante interessante onde o Tairone fala um pouco sobre o  "Circo de Leituras Joval Rios".

http://www.youtube.com/watch?v=-lez00Qxsqc&feature=related