quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Abrigos Delmirenses: Ciço Gobeu

Abrigo de Ciço Gobeu 1973: Ricardo Menezes e Nechico ao balcão.
Abrigo de Ciço Gobeu em 1974: Eduardo Menezes, Edmo Cavalcanti e Nivaldo Cantuária

Olha aí o assunto rendendo um pouco mais. O Eduardo Menezes complementa o post anterior trazendo duas raras imagens dos primórdios do famoso abrigo do Ciço Gobeu.

E ainda teremos alguns mistérios a desvendar:

Quem é o rapaz não identificado?
Qual bebida os garotos estavam a degustar?
O que estes então meninos fazem hoje em dia? (Esta acho que sei a resposta. Mas deixo em aberto para os leitores)

E você que detalhes das imagens chamou sua atenção? Olhe direitinho para os cartazes na parede.

E agora vamos ao email do nosso colaborador:

César,

Tô enviando duas fotos do "Abrigo de Ciço Gobeu" tiradas em 1973 e 1974, onde vendia o famoso doce feito pelo "velho barbudo das unhas grandes tipo Zé do Caixão.
Os personagens que estão na foto de 1973 é Ricardo Menezes e Nechico, já falecido, foi atropelado lá pelas bandas de São Paulo. O rapaz que vai passando não lembro o nome mas era bastante conhecido, estava sempre perambulando pelas ruas, também foi atropelado, um caminhão pegou ele no centro de Delmiro pouco tempo depois da foto. Os da foto de 1974 sou eu, Edmo Cavalcante e Nivaldo Cantuária.

Eduardo Menezes
Onde houver fé, que eu leve a dúvida.




Agora é com vocês.


Abrigo do Ciço Gobeu em junho de 2007

Como já dito antes o blog não tem regras fixas. Portanto resgatei um post de 14 de julho de 2007, que versa sobre o mesmo tema. E o melhor traz uma imagem de outro ângulo mas do mesmo local passados trinta e três anos das enviadas pelo Eduardo. É interessante que possamos fazer as devidas comparações. Vamos ao material enviado então pelo Paulo da Cruz.

César,

No momento estou sem tempo para escrever um texto que descreva esse ponto turístico/gastronômico/etílico da nossa Macondo. Como tive oportunidade de fotografá-lo recentemente, agora em junho deste ano, talvez só com a publicação da foto já seja suficiente para se iniciar uma boa rodada de comentários saudosistas de antigos freqüentadores. O bar do Ciço Gobeu sofreu uma série de reformas e estã com excelente aparência. Talvez alguém possa comentar também sobre uma placa de inauguração postada ao lado, junto a um pedestal ainda sem busto. O que diz esta placa? De quem será o busto? Por que ainda não foi colocado lá?

Paulo da Cruz.

Agora é com vocês

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Abrigos Delmirenses



O Fernando Alves Pita nos envia uma imagem do atual Centro de Arte e Cultura de Delmiro Gouveia. Não vou aqui falar da importância do Centro. Para tanto basta dar umas “googladas”, que aparece um monte de atividades interessantes desenvolvidas pelo mesmo. Mas vamos aproveitar sua colaboração e tentar esticar o assunto, que já foi ventilado em posts anteriores.
A linha do blog tem sido mais de buscar o lado prosaico da Macondo Sertaneja. E aí é que dá para a gente se divertir um pouco. Então vamos lá: Este prédio originalmente foi o terceiro abrigo da cidade. Antes dele já existiam, e ainda existem, os de Mané Bispo e de Ciço Gobeu. Mas, Abrigo? Por que esta palavra? Vejamos sucintamente o que consta no dicionário:

s. m., do Lat. apricu
lugar protegido, refúgio
resguardo, amparo, protecção;
refúgio;
guarida;
porto;
baía;
enseada.

Abrigo em Delmiro Gouveia é o local onde se vende bebidas, lanches e cigarros, entre outros tantos brebotes. Também é point onde se reúnem um bocado de cabras a discutirem sobre tudo: futebol, política, vida alheia principalmente, religião, beleza feminina...e por aí vai. O que não falta é assunto. Enfim é bastante parecido com aquilo que em outras cidades, Curitiba por exemplo, chama-se de Boca Maldita. Também é um local onde entre um papo furado e outro existe uma boa possibilidade de fechar alguns negócio de compra, venda e troca.

Dos meus tempos delmirenses lembro que os dois abrigos existentes tinham suas semelhanças e também nuances diferentes. O Abrigo do Mané Bispo além das atividades antes mencionadas também funcionava como uma espécie de rodoviária informal, pois dali saiam as rurais (que faziam concorrência ao ônibus do Zé Balbino) para Paulo Afonso, e ficavam estacionadas ali perto também as caminhonetes C10 que levavam as pessoas que vinham de outras localidades para a feira delmirense.

Do Abrigo do Ciço Gobeu lembro do meu pai papeando com outros aposentados debaixo da sombra de uma enorme árvore que ficava em sua frente. E minha memória gustativa ainda consegue lembrar dos famosos doces de leite vendidos em copinhos tapados com um papel branco. Alguém lembra do velho barbudo que os fabricava?

Mas voltando à imagem original do terceiro abrigo e colocando as indagações de praxe para movimentar os comentários :

Quem foi o seu primeiro dono? Seria alguém chamado Valdomiro ou Valmir?
Sua arquitetura sempre foi esta?
O que ele tinha de diferencial em relação aos outros?

Afinal você tem alguma história interessante que tenha acontecido nos abrigos delmirenses? Então deixa seu relato por aqui.

Creio que neste tópico a Cleonice Menezes e o Luiz Orleans poderão palear muito mais. Afinal eles foram contemporrâneos do terceiro abrigo.

Agora é com vocês.

sábado, 1 de novembro de 2008

Prédios Delmirenses: Sobrado do IBGE. Uma aula por Eduardo Menezes.

O blog não tem regras fixas. O bom disto é que dá certo dinamismo. E considerando riqueza de detalhes e informações trazidas pelo do Eduardo Menezes sobre o atual prédio do IBGE, resolvi transformar o seu comentário em post complementar ao anterior: Prédios Delmirenses.

Texto de Eduardo Menezes.

Conversando com meu pai, para quem ainda não sabe João Menezes (conhecido por Zito), Coletei algumas informações sobre o sobrado da foto que enviei e juntando com as poucas lembranças minhas, chegamos a isto:

- Foi construído por Arsênio Freire, mascate de Mata Grande que resolveu morar em Delmiro Gouveia, onde, após algum tempo comprou uma padaria na Rua Rui Barbosa, onde hoje funciona o posto de lavagem de veículos Irmãos Feitosa.

- Na construção foi usada a madeira de um antigo sobrado pertencente a Agenor Serpa, Pai de Antenor Serpa, que ficava no povoado Várzea do Pico.

- Foi inaugurada em 1948, data da foto que mandei. Aliás, a essa foto foi enviada junto com o convite de inauguração.

- Meu pai, na época com 18 anos, foi a inauguração. Entre os convidados ele lembra que estavam Dr. Antenor Serpa e Joaquim Correia e silva (conhecido por Quinzinho).

- A inauguração teve direito a champanhe (bebida não muito comum na época) e bênção do padre da paróquia local.

- Em 1954, com a instalação do município de Delmiro Gouveia, Alfredízio Gomes de Menezes foi nomeado prefeito, enquanto chegavam as eleições, e o sobrado passou a ser a sede da prefeitura, que depois foi transferida para a Rua do Progresso (atual Av.Pres. Castelo Branco), em cima da farmácia de Quinzinho.

-Dedé patriota, irmão de Zezé, morou no 1º andar.

- Com relação aos americanos ele lembra vagamente de alguma coisa, pois na época tinha ido morar em Colônia Leopoldina, mas acha que ficaram por pouco tempo.

- Quando o IBGE foi instalado, pela primeira vez, no período de 1973 1976 no 1º andar do sobrado, no térreo funcionava a Emater. Nessa época Chico do Berimbau (conhecido por Tarzan, Bilu Tetéia, Roberto Carlos, entre outros apelidos) já morava em um quartinho que ficava nos fundos do sobrado. O prédio pertencia a Miguel Gandu.

- Dona Luiza, mãe de Careca, montou o hotel após a desocupação do sobrado pelo IBGE e a Emater que saíram em um período próximo, Chico do Berimbau também já tinha abandonado o local.

- Quando o IBGE retornou em 1992, o sobrado já pertencia a Maria José Vieira e ficou até 2007. Nesse período funcionou, no térreo, um restaurante que passou por quatro proprietários: Maria, Arnaldo (irmão de Chico, Rubinho, Armando...), Fátima e (não sei o nome) Tio João.

1 de Novembro de 2008 15:04


Agora é com vocês. Há um monte de gente sendo citada. Certamente dará panos para mangas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Prédios Delmirenses: Origens do Universo Macondiano

Sobrado em 1948. Atualmente prédio do IBGE
Prefeitura em 1976.

O bom filho a casa torna. Ops ! Isto é frase de cunho religioso. E o nosso colaborador de hoje é o Eduardo Menezes, que tradicionalmente, assim como eu, nunca foi muito chegado a temas desta natureza. Mas vamos ao que interessa. O Eduardo foi o camarada que deu uma grande contribuição ao primeiro site nosso ainda no ano de 2002. Vasculhou tudo o que foi gavetas suas e dos amigos e nos enviou um montão de fotos do passado delmirense. E entre estas fotos havia raridades tais como fotos antigas do eterno e famoso(na Macondo Sertaneja) Ronaldo Macarrão.

E agora ele nos traz um material complementar tema anterior. Vamos ao seu email e depois espero que pingue alguns comentários ao menos.

Olá César,
Eu tava olhando agora o blogger AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA e vi alguns comentários sobre o prédio da prefeitura, de quando foi construído, aí lembrei que tenho uma foto de 1976, que tirei, acredito que pouco tempo depois de quando foi construída. Não sei se já mandei pra você, por via da dúvida tô mandando agora, pode servir para o blogger. Aproveitando o embalo tô mandando também a do sobrado onde funcionou o IBGE, tirada em 1948, mas essa não foi eu, rsrsrsrss.
Abraços
Eduardo Menezes
Onde houver fé, que eu leve a dúvida.

PS: particularmente acho "felomenal" esta frase utilizada pelo Eduardo.





quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Macondo do Sertão: Livre Associação de Idéias.

A falta de assunto é mais que evidente. Creio que já falamos de quase tudo da Macondo do Sertão. Mas vamos lá forçando um pouco à barra, talvez seja possível através de um “brainstorm” brincar um pouco. A proposta é a seguinte: Dizer rapidamente as primeiras lembranças que as imagens postadas lhe trazem. Começo eu:

Prefeitura: campinho de futebol, Aristides Preto depenando rolinhas e Sivinha seu filho correndo com um carro de madeira a imaginar que fosse um possante caminhão. Também me lembro dos circos que acampavam neste local.

Câmara dos Vereadores: Lembro da sujeira e do barulho do açougue velho. E logo na entrada da banca do Zé Preto(irmão do famoso Bado(jogador de futebol) e do Neneco(pai do Gilmar que também foi um grande futebolista delmirense)

Ponto de Ônibus: não há linhas urbanas, mas há onde esperá-los. Uma contradição que foi matéria jornalística nacional. Isto sim que é algo macondiano mesmo. Puro realismo fantástico. As lembranças remetem ao velho ônibus do Zé Balbino. E indo um pouco mais além (não alcancei), mas ouvi falar do famoso “febre amarela”.

E como uma há motocicleta na fotografia de um dos trechos da avenida principal não como deixar de esquecer da moto do Sica.

Agora é com vocês.






sábado, 4 de outubro de 2008

Delmiro Gouveia: 10 imagens da Praça da Igreja Velha.











Temos hoje dez imagens da nova praça da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Eu particularmente gostei do colorido dos painéis quebrando a antiga monotonia cinzenta do muro da fábrica.
Direitos autorais das imagens são do perfil "Delmiro Gouveia" na comunidade de mesmo nome no Orkut. http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=lo&uid=10922991514671925408

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Dialeto de Cabras da Peste ou: seu fulêro não entendeu não?

Imagem:direitos autorais da www.camiseteria.com

O texto de hoje é fruto da pesquisa e colaboração do Abrahão, e concatena-se perfeitamente com o mote do vocabulário delmirense.

É um verdadeiro dialeto

Se é miúdo é pixototinho.
Se é pequeno é cotôco.
Se é alto é galalau.
Se é franzino é xôxo.
Tudo que é bom é massa.
Tudo que é ruim é peba.
Rir dos outros é mangar.
O bobo se chama leso.
E o medroso chama frouxo.
Tá torto é tronxo.
Vai sair diz vou chegar.
Dar a volta é arrodeio.
Se é longe é o fim do mundo.
Dinheiro é bufunfa.
Caba sem dinheiro é liso.
Pernilongo é muriçoca.
Chicote se chama peia.
Quem entra sem licença emburaca.
Sinal de espanto é - - vôte!!
Se tá folgado tá foló.
Quem tem sorte é cagado.
Quem dá furo é fulêro.
Sujeira de olho é remela ou argueiro.
Gente insistente é pegajosa.
Agonia é aperreio ou gastura.
Meleca se chama catôta.
Gases se chamam bufa.
Catinga de suor é inhaca.
Mancha de pancada é roncha.
Palhaçada é munganga.
Desarrumado é malamanhado.
Pessoa triste é borocoxô.
E então é iapôis.
Pois sim é não concordo.
Pois não é estou as ordens.
Correr atrás de alguém é dar carreira.
Passear é bater perna.
Fofoca é resenha.
Estouro se chama pipôco.
Confusão é rolo.
Travessura é presepada
Gente complicada é nó cego.
Paquerar é se "inxerir".
Distraído é aluado.

Vixe Maria! Entendeu esse menino?

Agora é com vocês.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Vocabulário Delmirense


Arte de: David Eduardo da S. Correia.

Na tentativa de ir levando o blog adiante resgatamos hoje algo iniciado em 2002 no primeiro site http://www.amigosdedelmirogouveia.hpg.com.br/ Na primeira versão do site, o vocabulário delmirense era uma das seções mais comentadas. Estamos trazendo agora uma edição revista e ampliada de alguns termos macondianos. Assim, creio, estaremos facilitando a vida dos turistas que por lá aportarem. Lembrando que algumas das palavras abaixo também são utilizadas em outros rincões e figuram aqui como curiosidades.

Vamos agora aos termos, acompanhados de seus respectivos significados ou contexto em que eram empregados. Propositalmente, não os coloquei em ordem alfabética; eles foram inseridos conforme as lembranças iam surgindo na minha cabeça. Obviamente, a lista terá os devidos complementos e acertos feitos pelos leitores/colaboradores.

Menino Malino - Criança traquinas e que fica mexendo em tudo.
Menina Danástica - É uma menina malina. Expressão também é empregada para se referir quando era muito inteligente ou com muitas habilidades. Hoje talvez diríamos que seria uma menina desenrolada.
Pau de virar tripa - Diz de pessoas bastante altas e magra.
Bia - Toco de cigarro. Ex: “fulano antes de você terminar o cigarro me dá a bia”.
Dar (ou levar) um Babau: Dar (ou levar) algumas pancadas em alguém.
Popa - Ficar zangado, irado. Ex: fulano deu uma popa
Fuleiro - Engraçado, safado Ex:fulano é um cara fuleiro
Velhaco - Mau pagador.
Meia-Colher - Utilizado para designar um mau pedreiro ou que não sabe fazer bem os acabementos de uma obra. “Fulano é um pedreiro meia-colher”
Cuia - Unidade de medida para comprar farinha no Mercado Público
Cair do banco - Diz do homem que em algum momento dá pintas ou apresenta trejeitos homossexuais. Então se fala: “fulano parece que cai do banco”
Banho-de-cuia - mesmo que dar um chapéu no futebol
Dar de arruda - mesmo que drible da vaca no resto do país
Salaminho -Unidade de medida para compra farinha no Mercado Público
Braiado – O mesmo que misturado ou misto. Expressão bastante usada por Albany(primo do Edson Borracha) e que morava na Lagoinha.
Barrufa – Alta velocidade ou correria. “Fulano passou por aqui no maior barrufa”
Casar a Pulso - mesmo que casar na marra. Quando alguém fazia mal a filha de outrem.
Fazer Mal - Disvirginar alguém(na época isto era muito importante)
Reca - Um monte de gente, multidão: Ex: Uma reca de meninos
Ruma - também tem o mesmo significado de Reca ; Ex: Uma ruma de gente passou por aqui. Magote - mesmo signficado de reca e ruma.
Malhar - Era pronunciada maiar e significava Entrar sem pagar em algum local. Ex: maiar no circo, ou no Cine Pedra usando como escada os muros dos fundos das casas da vila operária. Bubônica - expressão com significado de exagero.Normalmente usada de forma sincopada Ex: Tá cum a bubônica” ou sua variante Tá cum a boba
Bozó - Jogo de dados
Ir à rua - Significava ir a av. Castelo Branco (principal artéria da cidade).
Riba - Em cima. Ex: menino desça daí de riba...
Biliro - grampo de cabelo Cachete – comprimido (remédio)
Pilombeta – chilique (geralmente feminino). Ex: fulana deu a pilombeta!
Ximbra - bolinha de gude
Toitiço - região da nuca. Ex: fulano levou um soco no toitiço
Samangue - policial Ex: Lá vem os samangues
Pão Aguado - o que no resto do país é conhecido como pão francês
Feiticeira - espécie de bolachão Xebra -Também uma espécie de bolachão
Fato - Intestinos do boi
Pacaio – Cigarro artesanal feito de fumo de rolo e palha. Termo também utilizado para cigarros sem filtro.
Lasca Peito - Cigarro barato. É quase um pacaio.
Farinha - Cara chato. Ex: Lá vem aquele farinha...
Pará - espécie de mingau feito com farinha, água, ovos e pimenta do reino. Usado para curar ressaca.
Lambaio - Puxa-saco. Bajulador.
Xêxo - não pagar alguém. Ex: Fulano saiu com Mocozinha (antiga profissional da área prestação de serviços de educação e iniciação sexual) e deu um xêxo.
Coronha - Diz-se da calça curta que deixa aparecer os tornozelos. Como as nossas fardas de tecido cáqui do GVM ficavam após três lavadas: coronhas
Pregas de Mira - diz-se de alguém metido a besta. Ex: Fulana só quer ser as pregas de Mira. Faz referência a uma senhora “louca e vaidosa” que andava pelas ruas da Macondo Sertaneja
Coração da Índia - fruta que em outros lugares é conhecida como graviola
Ximbuca - sandália de couro vendida na feira o design lembra a boca de um sapo aberta Cassaco - Alguém que exala mau cheiro. Termo preconceituoso dado aquelas pessoas humildes que vinham à feira em cima de carrocerias de caminhões.
Cabilouro - Cartilagem que vem junto com a carne. Bastante usada em sopas.
Bôto - Diz-se da criança que tem por função procurar as outras na brincadeira de esconde-esconde.
Bacurinho - Porco novo.
Barrão - Porco gordo e velho
Pai de Chiqueiro - Bode velho ou também utilizado no sentido de aquele que manda por ali. “metido a pai de chiqueiro” Termo também empregado para homem que tinha várias mulheres.
Vôte - exclamação de espanto esignificando mais ou menos como credo!!!
Vixe - forma sincopada de Virgem Maria também usada como forma de espanto
Ôxe - originalmente era: ô gente para expressar espanto. Com o passar do tempo foi abreviada.
Negão - tratamento gentil com os amigos. Ex: Negão, a banda que tocou ontem no Vicentão era massa. Esta expressão também era bastante utilizada quando um menino “ficava de mal de outro” e voltavam a brincar porém evitava-se falar o nome do mesmo. Então era um tal de negão prá cá e negão prá lá.
Flau - picolé em saquinhos. Em outras regiões conhecido como sacolé ou dindin.
Gás - Querosone. Bebeu gás - diz-se quando nos referimos a alguém que tomará alguma decisão controvertida e polêmica ou que exige uma certa dose de insanidade. Ex: “Ele num é doido. Não bebeu gás”
Pés-do Cão - Perigoso. Ex: fulano é os pés do cão;
Pés da Besta – Utilizada no mesmo sentido de Pés do Cão.
Raia - O mesmo que pipa ou papagaio;
Derna - Forma sincopada de Desde significa faz muito tempo que o fato aconteceu Ex: Um delmirense conversando com outro: Edson tem o apelido de Borracha derna que César morava por aqui
Avexe - diz-se para alguém apressar-se Ex: avexe menino tire as roupas do varal que vai chover
Quarador – Local formado por pedras dispostas no chão e utilizado para secar roupas lavadas. Avia - uma variante de avexe. Também usado para dar o sentido de urgência
Tuia - o mesmo que reca, ruma, camboio, magote. Sempre usado no sentido de multidão ou monte de alguma coisa. Ex: Havia uma tuia de caras fuleiros no GVM
Quiba - associados a testículos. Ex: A aula de fulano é chata demais é pior que um chute nos quibas
Peba - coisa sem grande valor. Algo fuleiro. Ex: O circo de Colombinha era muito peba.
Labafêro - Bagunça, barulho. Ex: Quando no GVM resolviam cobrar as mensalidades, era o maior labafero que os alunos faziam no lado de fora próximo da quadra.
Pegar Boi - Diz de alguém quando está com pressa. Ex: Meu filho vai avexado assim prá onde? Vai pegar boi é?
Engabelar - Enganar Ex: Tá pensando que eu sou besta é? Tá querendo me engabelar bichinho?
Acoitar - Esconder
Passamento - Desmaio. Ex: Dona Fulana teve um passamento.
Comida de rabo – Termo chulo empregado quando alguém levava um bronca do chefe. Ex: “fulano acabou de levar a maior comida de rabo de sicrano”
Pica Grossa – Termo chulo para se referir ao chefe ou aquele que emitia ordens
Cafofa - Bola chutada em direção ao goleiro com pouca força. O goleiro então para irritar o adversário pega a bola entre as mãos, balança-a e olha em direção ao jogador e diz “cafofa” o que pode ocasionar uma briga pela afronta e desrespeito à honra esportiva.

Agora é com vocês.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

1972: Um Ano Que Ainda Dói no Ouvido

Como estamos em plena “Semana da Pátria” reproduzo com pequenas modificações texto publicado no http://www.amigosdedelmirogouveia.blogger.com.br/ em 24 de novembro de 2004. Na época ele rendeu alguns comentários. Mas não custa nada resgatar o mesmo e tentar fazer o nosso blog caminhar um pouco mais.

Ano 1972 - Alguns fatos. Cenário Mundial: A Guerra do Vietnã se aproxima do fim. Henry Kissinger, secretário de estado americano, negociava nos arredores de Paris uma saída honrosa para os EUA. Na Olimpíada de Munique 12 atletas israelenses eram feitos reféns e depois mortos por militantes da OLP. Nixon visitava a China.

Cenário Nacional: Imperava o auge da ditadura militar. Governo Médici. Imprensa censurada. Lei de Segurança Nacional. O capitão Lamarca, talvez a figura mais conhecida da resistência de esquerda, já havia sido assassinado no sertão da Bahia. Gil e Caetano voltavam do exílio londrino.

Cenário delmirense (macondiano): Eu fazia a 4ª série primária no Grupo Escolar Francisca Rosa da Costa. A escola tinha apenas quatro salas de aula. Diretora: Teresinha Bandeira. Professora: Sônia Camilo. (minha colega, aqui ao lado, acabou dar uma risada. Caramba: você saltou de Henry Kissinger e Olimpíadas para o 4º ano primário em Delmiro Gouveia. Isso é que eu chamo de viagem).

Eu, uma criança, naturalmente não sabia nada do que rolava pelo mundo e muito menos no país. Os anos de chumbo caiam no lombo do povo. Eram os tempos do Brasil: Ame-o ou Deixe-o (minha colega aqui do lado está completando: o último que sair, apague a luz do aeroporto). E a abertura lenta, gradual e segura ainda nem era projeto. Isto só viria acontecer nos anos Geisel. Mas aí já é outra história.

Certa vez, a palavra subversivo, foi pronunciada de maneira baixa, sussurrada e entreolhando para os lados. Assim como comentavam que alguém estava com câncer. Era algo mais ou menos assim: Os filhos do Sr. Leite e do Sr. Dom foram presos em Recife. Isto ouvi ali na casa do meu avô: Rua da Matriz, 222.

Creio que eles militavam no movimento estudantil. Nunca soube o que eles tinham feito de fato. Mas sei que “subversivo” era algo muito grave. Aliás, se algum leitor que os conheceu quiser contar a história por aqui ficarei bastante grato. Matarei a curiosidade infantil.

Mas aqui estou a tergiversar. Voltando ao Grupo Escolar (vizinho ao Bar da Tripa).

Enquanto tudo isto acontecia, lá estávamos nós na frente da escola, todos trajando camisa branca com o escudo da escola no bolso, calças curtas ou saias azul-marinho, meias brancas e os inesquecíveis e confortáveis sapatos conga nos pés. Hasteando a bandeira, mãozinhas em cima do peito esquerdo a cantar em altos brados o hino do sesquicentenário da independência. Era isto mesmo. Fazia 150 anos que o D. Pedro I tinha soltado o brado do Ipiranga. E não é que este hino, de tanto ser cantado (afinal todas as quintas-feiras cumpria-se o ritual) até hoje permanece em minha memória. E às vezes me pego inconscientemente cantando-o. Isto que é foi uma lavagem cerebral bem dada.

O detalhe interessante era que se alguém fizesse alguma gracinha ou saísse do tom, levava umas chocalhadas na cabeça (é isto mesmo que você está lendo, chocalhadas. Afinal o chocalho usado em pescoço de cabras e bode, na escola tinha a dupla função de servir de “campainha” e como instrumento de repressão aos “meninos malinos” (putz, esta expressão fui buscar longe, não?). A Teresinha não perdoava. Eu nunca levei. E bom deixar isto bem claro. (risos).

Bem, será que você também lembra do hino? Então relembre. Eis aí o dito cujo.

Hino do Sesquicentenário da Independência

(Canção de Miguel Gustavo)

Marco extraordinário

Sesquicentenário da independência

Potência de amor e paz

Esse Brasil faz coisas

Que ninguém imagina que faz

É Dom Pedro I

É Dom Pedro do Grito

Esse grito de glória

Que a cor da história à vitória nos traz

Na mistura das raças

Na esperança que uniu

No imenso continente nossa gente, Brasil Sesquicentenário

E vamos mais e mais

Na festa, do amor e da paz (Bis)

E dessa época? O que você lembra?