quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma Delmiro Gouveia com ares londrinos(Fog no sertão das Alagoas)

Uma Delmiro Gouveia com ares londrinos. “Fog” em pleno sertão das Alagoas? Para quem não é da região pode até parecer estranho o fenômeno. Mas afinal na “Macondo Sertaneja” tudo é possível.

A cerração/neblina(fog) acontece em algumas manhãs entre os meses de maio até julho. Nos meus tempos delmirenses, Lembro-me, por vezes, que era tão espessa que tinha até mesmo dificuldade de enxergar o final da rua. Convenhamos que dá um charme especial nos trazendo um certo ar de romantismo ou até mesmo mistério.

As imagens foram capturadas pelas lentes do nosso colaborador/leitor Tiago Moreira dos Santos, que gentilmente nos autorizou a publicação.


E aí você já teve o privilégio de presenciar tais cenas? Quais suas lembranças? Deixe seu recado.

Agora é com vocês.







terça-feira, 15 de maio de 2012

Delmiro Gouveia: Lembranças dos Tempos do "Admissão" (anos 60/70)

Após alguns dias de inatividade, eis que damos ares de nossa graça. E, na falta de material novo, estamos resgatando dois textos postados originalmente em agosto de 2005, no primeiro blog da nossa série.

Os textos falam sobre algo que já não existe mais: Os famosos cursos de Admissão ao Ginásio.


ADMISSÃO AO GINÁSIO
Texto do Prof. Paulo da Cruz.


O texto abaixo é as lembranças do Prof. Paulo da Cruz sobre seus tempos de estudante do Admissão ao Ginásio em Delmiro Gouveia nos anos 60. Como o post iria ficar muito grande dividi em duas partes: Primeiro o Paulo. E logo aí em cima um texto meu complementando o tema.


Prof. Paulo da Cruz nos anos 60.

Um cara que amava os Beatles e os Rolling Stones.

ADMISSÃO AO GINÁSIO 

Ao falar sobre admissão ao ginásio e sugerir um futuro texto no seu blog sobre o assunto você me despertou para escrever este texto.

O exame de admissão, que funcionou no Brasil de 1937 até 1969 era uma espécie de vestibular entre o curso primário e o ginasial, ou seja, após completar o quarto ano primário o aluno se quisesse continuar a estudar tinha que passar no exame de admissão.

Em Delmiro Gouveia era comum acontecer uma espécie de cursinho preparatório nas férias dos meses de janeiro e fevereiro. Lembro que odiei fazer esse curso, pois perdi as minhas férias. Fui fazê-lo obrigado por meu pai. Terminei gostando e cheguei até a achar-me o tal e que já estava passado. Tanto que no dia da prova, em companhia de Luiz, filho do Seu Davizinho e colega de turma, fui pegar passarinho. Resultado: à noite naufraguei na conjugação dos verbos no subjuntivo e fui reprovado. Ainda hoje não sei para que serve saber se um verbo está nesse ou naquele tempo. Basta saber aplicá-lo corretamente. Mas a examinadora, a Profa. Carminha me reprovou. Fui obrigado a fazer o curso preparatório de um ano.

Eram tantos os alunos que a turma foi dividida em duas. Uma à tarde e outra à noite. O professor, Geraldo Liberal, diretor do Ginásio Vicente de Menezes, era de meter medo. A turma da tarde, composta em sua maioria de "molecotes", era conduzida com rédea curta. Acho até que a disciplina imposta me ajudou, pois deixei os passarinhos e me dediquei só a estudar resultando daí que obtive a primeira colocação na turma. O engraçado é que muitos anos depois o filho desse professor foi meu aluno na faculdade e ele próprio meu colega. Eu nunca tive oportunidade de dizer-lhe, porém que ele me metia medo.

O livro que estudávamos era massudo. Tinha capa dura, amarela e era dividido em quatro partes: português, matemática, geografia e história. Quando já estava cursando o segundo grau tive a oportunidade, junto com Abrahão, de ministrar um desses cursos preparatórios. Abrahão deve lembrar de quem foram os alunos. Só lembro de Sonia, de Zé Pedrão e Zé Bispo, filho de Mané Bispo.

Como livro era coisa rara, e era necessário para acompanhar o curso, o aluno utilizavam o expediente de comprar o que já tinha passado. Quem podia comprava na loja do Seu Zé Maria, comerciante de tecidos e outras mercadorias, além de proprietário do Cine Real, que os adquiria em Recife e os repassava a moçada. Ele vendia além do livro do Admissão ao Ginásio os outros livros para todo o curso ginasial.

Lembro que passei todo o ginásio comprando os livros ao Zé Maria e imediatamente colocando uma capa, para não sujar, com o objetivo de vendê-los no início do ano seguinte. Como eu tinha muito cuidado com meus livros, hábito que carrego até hoje, tinha sempre pessoas interessadas. Tinha até freguesa certa, uma garota muito inteligente que morava no Desvio e cujo pai tinha uma mercearia por lá.

Essas são algumas das lembranças que carrego dos meus tempos de estudante no Vicente de Menezes. Acho uma pena o exame de admissão ter acabado. Era uma tortura, mas ajudava a nivelar a garotada que ingressava no ginásio. Hoje estão querendo acabar até com o vestibular. Acho muito errado. Quem está na sala de aula hoje já sofre com o desnível dos alunos, com vestibular e tudo, imaginem sem vestibular. Aqui em Santa Catarina já tem universidade particular oferecendo ingresso só com o exame da vida escolar. O negócio é encher as burras. Continuo achando que a concorrência é salutar e só faz ajudar a todos a procurarem ser mais competentes.

Um abraço, daqui de Floripa,

Paulo da Cruz

E aí o Paulo contou a história dele. Falta a sua. Manda prá cá. Aguardo.

ADMISSÃO AO GINÁSIO (Turma de 1973)
Texto de  César Tavares

Complementando o texto do Prof. Paulo. Mesmo oficialmente acabando o exame de admissão em 1969, a prática permaneceu em DG por alguns anos. Pois em 1973, eu passei o ano inteiro estudando para o exame no GVM. Tinha feito o primário no Grupo Escolar Francisca Rosa da Costa.(1970/72) e minha mãe achando que eu não tinha conhecimentos suficientes para enfrentar o teste direto, colocou-me para estudar o famoso Admissão ao Ginásio.

O curso funcionava no prédio do Sindicato dos Tecelões. No entanto estava havendo reforma por lá, então foi utilizado um pequeno salão na rua adjacente. Não lembro mais o nome da rua. Mas podemos dizer as coisas de um jeito bem delmirense: A rua onde ficava a casa do Amélio Costa. E aqui a minha história cruza com o texto do Prof. Paulo. Tínhamos duas professoras: Risalva, filha do Rosalvo Oliveira (posteriormente ele foi prefeito em DG), e dono da mercearia que fica quase na esquina com a D.Pedro II. Risalva ministrava as aulas de Português e Matemática.
Prédio do Sindicato(em jan/2010) onde funcionava o curso de Admissão. Em 1973  passava por reformas.
Em 1973 o curso de Admissão funcionou provisoriamente numa destas edificações. Não lembro mais qual seja. Era bastante próximo da antiga mercearia do Rosalvo Souza. 

E a outra professora era Zélia, irmã do Cabelinho, e filha de Maninha que também tinha uma venda ou bar quase ao lado do paredão do açude pequeno. Como as duas professoras eram muito inteligentes e competentes, suponho que alguns anos antes, uma delas era a tal compradora dos livros usados do Paulo. Ou seja já era um prenúncio de alguém que gostava de estudar.

O livro que estudávamos tinha uma capa azul com umas moças segurando uns livros e em letras garrafais o título ADMISSÃO AO GINÁSIO. Eu particularmente ficava encantado com as ilustrações: bandeirantes com suas indumentárias, as batalhas da Guerra do Paraguai (logicamente o Brasil ganhava todos e os brasileiros eram bonzinhos e o Solano Lopez o tirano malvado. Anos depois ao ler o livro do Júlio Chiavennato O genocídio americano cai na real) e os mapas coloridos na parte de Geografia.

Pesquisei um bocado na net tentando conseguir uma imagem deste livro. Mas não obtive sucesso. Caso algum leitor consiga gostaria que enviassem uma cópia para mim. Porque até procurar o livro em sebos recifenses fiz.

Foi neste curso que finalmente consegui aprender expressões numéricas. Eu tinha uma enorme dificuldade para entender aquele monte de parênteses, colchetes e chaves. Mas a Risalva tinha a salutar técnica de obrigar o aluno ir ao quadro. E o camarada só saia quando fazia o exercício correto. Graças a isto finalmente consegui aprender. Morrendo de vergonha na frente da turma. Mas errando, repetindo até acertar. Duvido o camarada esquecer mais disto.

A turma era pequena. Mas no final do ano todos passaram nos testes do GVM. Não lembro o nome de todos os colegas. Mas aqui vão alguns:

Tânia Mafra, minha prima. Formou-se em medicina e vive trabalhando e estudando loucamente no eixo DG-Maceió;

Ricarti Mafra, irmão da Tânia, administrador, ainda mora em DG e trabalha na Fábrica da Pedra,

Ni e Nel, irmãos da prof. Risalva. O Nel formou-se em engenharia química. O Ni não tenho certeza, mas parece que também fez o mesmo curso. Ambos residem em DG.

Cláudio Cardoso, filho do famoso e temível Zé Galego chefe do Departamento Pessoal da Fábrica. O Cláudio a última vez que conversei com ele(em 2002) estava fazendo Mestrado e trabalhava como professor em DG;

Roberto Marques(Bé,) irmão de Dimas da loja de ferrangens e também meu primo. Bé não chegou a terminar o admissão. Abandonou o curso no meio do ano. O Bé faleceu muito jovem vitimado por seqüelas de uma diabetes que tinha desde a infância e tardiamente detectada;

Das outras pessoas não tenho maiores lembranças. Vagamente me vem a mente os nomes do Jorge e a Cida. Mas as recordações se dissipam na poeira do tempo. Uma boa desculpa para quem está ficando velho e os neurônios já não são mais os mesmos.(risos).
Tânia Mafra, César Tavares e Ricarti Mafra em janeiro de 2010. 
Erivaldo Oliveira( Ni), César Tavares e Márcio Anjos(este colega de turma  de primário no Francisca Rosa e depois também colega no Ginásio Vicente de Menezes) jan/2010

E aí você já tinha ouvido falar na existência deste bendito curso de Admissão ao Ginásio? Conhece ou lembra dos seus colegas de turma? De todos eles? Ou você já está ficando meio esquecido feito eu? Conte a sua história por aqui.

Em breve tentarei fazer um post sobre algo muito marcante e importante que fiz em DG. Algo que mudou minha vida para sempre: UM CURSO DE DATILOGRAFIA. na Escola Nossa Senhora da Paz, de Jacira esposa de Sebastião do Armarinho. (risos muitos risos) com direito: a diploma com fotografia de paletó e gravata borboleta.