quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

RMDG: Região Metropolitana de Delmiro Gouveia.



A temática do blog sempre ficou restrita a nossa Macondo sertaneja. Raramente postamos imagens que não sejam da terrinha. Mas isto não é uma regra fixa. Aliás, não há regra nenhuma. Portanto vamos abrir um pouco o leque. Mas se os leitores me permitem vamos brincar um pouco. Passaremos a considerar DG como uma metrópole e as cidades circunvizinhas orbitarão em sua área de influência. Será então referenciada pela sigla RMDG (Região Metropolitana de Delmiro Gouveia).

Claro que a decisão é puramente bairrista, e os possíveis leitores das cidades-satélites poderão revidar por aqui e fazerem apologia das suas plagas. Não há nenhum problema. Não seguiremos nenhum critério histórico, geográfico, cultural ou demográfico. Apenas pura brincadeira entre vizinhos. E assim também estaremos divulgando na medida do possível outras Macondos.

E começamos com três fotografias bastante interessantes. Duas de Água Branca, da qual a antiga Pedra (atual Delmiro Gouveia) foi distrito e uma belíssima imagem de Piranhas, que creio ser dos anos 40.

As imagens de Água Branca nos foram enviadas pelo Tiago Santos.

Agradecemos todas as visitas, comentários e colaborações que recebemos ao longo deste ano. E desejamos um FELIZ 2009 PARA TODOS.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Baú delmirense: Imagens dos anos 40 aos 60.

George Lisboa(de terno branco) e amigos da rede ferroviária
Moreninha e Laura irmãs de Guiomar Lisboa,José Vicente, Laura e Onofre.
Guiomar ao centro. E as outras meninas quem são?
Guiomar Lisboa, Noêmia de Zé Raul e uma terceira moça ainda não identificada.
Carnaval de 1940 em Delmiro Gouveia: Quem são as beldades?
George Lisboa e família
Igreja Velha: Padre Didi em companhia de Júlia e Guiomar com seus respectivos filhos em festa de primeira comunhão.


Uma viagem pelo passado delmirense. Temos hoje sete desafios. Desde um grupo de meninas no carnaval delmirense de 1940 até uma cerimônia de primeira comunhão nos anos 60.

Será que os leitores conseguem identificar todas as pessoas? Será que conhecem ,ao menos ,seus descendentes? Para facilitar o trabalho há algumas pessoas/famílias já identificadas.

Agora as histórias são com vocês.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Grandes Figuras Delmirenses: Teresinha o vendedor de quebra-queixo



Entre o material novo que por ventura possa chegar irei intercalando postagens feitas anteriormente nos blogs antecedentes dando seqüência a série:
GRANDES FIGURAS DELMIRENSES.

Terça-feira, Dezembro 21, 2004


TERESINHA Teresinha Ô Ô Teresinha Ô Ô. Adeus mundo velho. Você vai. E eu fico... Quebra- Queixôôôoôoo quem vai querer. Teresinha ô ô ô Olha o Quebra-Queixo...Adeus Mundo velho. Você vai. E eu fico.

O trecho acima era o bordão para a venda de quebra-queixo. Era ouvido nas ruas delmirenses nos anos 70. O seu autor era uma figura burlesca: O Teresinha. O feitiço virou contra o feiticeiro. Um homem conhecido por um nome feminino. O seu nome real creio que ninguém sabia. Ele era baixo, moreno e tinha um pequeno bigode. Seu rosto parecia um pouco com do Cantinflas.(um antigo artista cômico mexicano que fez muito sucesso em Hollywood nos idos dos anos 40/60)

Teresinha um dia chegou na cidade. Não se sabe de onde. Morava ali para os lados do Clube Palmeirão. E ganhava a vida vendendo doces. Mas o pouco que ganhava gastava em bebidas. Era comum vê-lo anunciando o seu produto com uma voz embargada, olhos vermelhos injetados e andar cambaleante. Parecia uma versão quixotesca. Ou um Carlitos sertanejo. Era tragicômico.

Seu quebra-queixo era gostoso. Mas não era nenhum primor de higiene. Talvez por isto o sabor se acentuava. Mas quem se preocupava com isto? Éramos crianças. E assim sendo não sabíamos da existência de bactérias e outros bichinhos. Então se não sabíamos, não contraímos nenhuma. Imunidade total. Espero que nenhum infectologista leia isto. Apenas um sofisma. O certo era que: o danado do doce era gostoso mesmo. E por cima vinha enrolado naqueles pedaços de papel pardo. Papel de embrulho mesmo.

Algo que causava um certo dó era ver a sua esposa, seguindo-o pelas ruas. Era uma moça bonita, meio aloirada, estatura média, recatada, paciente e educada. Ela tinha traços físicos lembrando um pouco aqueles imigrantes eslavos que vinham trabalhar na agricultura no sul do país. Enfim era muita mulher para o pobre-diabo do Teresinha. No entanto ela o tratava com o maior respeito e reverência.

Será que era alguma promessa? Ou ela purgava seus pecados de vidas passadas. E apenas cumpria a sua sina? Não sei. Talvez alguém saiba. E possa vir aqui esclarecer este mistério.

Mas o lado mais interessante do Teresinha era a sua criatividade. E no carnaval ela se soltava. Ele montou um verdadeiro zoológico para os dias de Momo. Juntando um papelão aqui, cola dali, bolas de ping pong, tinta, pedaços de pano, lã e arame ele conseguiu montar: UM GORILA, UMA EMA E UM JACARÉ. E tome a molecada ir atrás dos bichos pelas ruas delmirenses. Cada bicho tinha uma marchinha. Letra simples como o Teresinha e suas crias.

Lembro que a música da ema era mais ou menos assim:

Eu comprei uma ema para brincar o carnaval...êêê êêê a A ema tem o pescoço de mola êêê êêê a Devagar eu chego lá êêê êêê a.

Pela letra vê-se que ele não era nenhum Chico Buarque de Holanda ou Capiba. Mas era divertido. Muito divertido. Mas toda a diversão era uma maneira engenhosa que o Teresinha usava para ganhar uns cobres a mais. A troupe parava em frente as casas, ficava cantando as marchinhas. E o morador geralmente aparecia e dava algum dinheiro. Pronto o feijão e cachaça da semana estavam ganhos.

Provavelmente o Teresinha pela sua vida um tanto sem regras, já tenha falecido. Os fatos acima ocorreram há cerca de trinta anos atrás. Aqui fica o registro de alguém a quem devo alguns momentos inesquecíveis de uma infância um tanto distante em Delmiro Gouveia. A este personagem sui-generis, um artista popular que talvez poucos lembrem.

E aí você lembrava dele? Que outro vendedor ou artista de rua delmirense você lembra? Ou se não for delmirense em sua cidade deve ter algum outro. Afinal todas as cidades em essência se parecem.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Grandes Figuras Delmirenses: Teresinha Bandeira


Entre o material novo que por ventura possa chegar irei intercalando postagens feitas anteriormente nos blogs antecedentes dando inicio a série: GRANDES FIGURAS DELMIRENSES.

Quinta-feira, Junho 08, 2006

Nossa colaboradora a Claudia Ribeiro é delmirense formada em Administração de Empresas, faz Ciências Contábeis e trabalha numa construtora como Consultora e também exerce atividades profissionais na prefeitura de Ipojuca/PE. E atualmente reside no Cabo de Santo Agostinho. E hoje ela nos traz uma fotografia onde além dela criança(criança em primeiro plano) numa festa escolar aparece uma pessoa bastante conhecida na cidade: A Terezinha Bandeira.

Quando fiz o Curso Primário no Grupo Escolar Francisca Rosa da Costa nos idos de 1969/72, ela era a diretora. A meninada tinha um medo terrível dela. Ela impunha respeito. O fato engraçado que achávamos naqueles tempos era que a escola era pequena, apenas quatro salas de aula e não tinha campainha (cigarra) para anunciar os horários de entrada, saída e recreio. Isto era feito com o uso de um chocalho barulhento, destes que se penduram nos pescoços de bovinos ou caprinos. E era a Terezinha quem balançava o chocalho. Então era um tal de blém blém infernal.

Corria a lenda que quando tinha algum menino mais afoito fazendo trelas, ela não contava conversa, metia o bendito chocalho na cabeça do infeliz. Pura lenda. Nunca presenciei tal fato.

Em junho de 2002, após 21 anos que eu tinha saído de DG. Numa visita ao GVM junto com o meu filho, encontrei-a. E quando fui cumprimentá-la ela ainda se lembrava de mim. Fiquei um tanto comovido com a situação. Afinal em sua vida como diretora ela conheceu centenas ou milhares de crianças. E você conseguir lembrar-se de uma delas tantos anos depois é um fato louvável. Uma memória espetacular.

Agora é com vocês. Quais suas lembranças dos diretores e professores delmirenses? E da Terezinha em especial você tem alguma história interessante para contar? Registre suas lembranças delmirenses por aqui.

Grandes Figuras Delmirenses: Vírgilio Gonçalves.


Entre o material novo que por ventura possa chegar irei intercalando postagens feitas anteriormente nos blogs antecedentes dando inicio a série: GRANDES FIGURAS DELMIRENSES.

Sexta-feira, Março 30, 2007

UM POETA DELMIRENSE: HOMENAGENS AO VIRGÍLIO GONÇALVES

Olá Pessoal, Há um bom tempo que não posto textos meus. Quase não tenho mais nada para lembrar. E o blog vai caminhando graças à boa vontade de alguns abnegados e fanáticos delmirenses. Mas a curiosidade sempre leva a fuçar coisas na net sobre assuntos da terrinha. E por estes dias, terminei encontrando algo interessante no site da prefeitura de DG: Um concurso de Poesia e uma homenagem ao poeta Virgílio Gonçalves.

No entanto o Virgílio já tinha sido citado num post no primeiro blog onde o tema era o PRPC- Ponto Regional de Propagandas Comerciais(isto em dezembro de 2004), na época o blog tinha menos visitas que agora. Por isto abaixo vai um enxerto do assunto então postado. O que prova(risos) que nos antecipamos em nossas homenagens a esta figura tão emblemática e participativa da cultura delmirense. O PRPC prestava todos os tipos de serviços de comunicação: Desde propagandas comerciais até anúncios fúnebres. Passando por uma extensa e pouca seleta programação musical, e indo até os famosos concursos de charadas propostos pelo seu mais famoso locutor: Vírgílio Gonçalves.

O Virgílio um sujeito alto, magro e com vozeirão característico de locutor era uma figura bem popular. Creio que ainda o seja. Faz anos que não sei nada sobre ele. Era uma pessoa bem informada. E tinha como hábito beber água que passarinho não bebe. Quebrando uma regra não escrita de não incluir textos de outros sites. Mas no caso a notícia é oficial e pública. Então eis o que está no site da Prefeitura.(texto na íntegra)

Prefeitura lança concurso de poesia 15 03 2007 Na noite do dia 14, quando se comemora o dia da poesia, a Prefeitura de Delmiro Gouveia lançou o concurso Antologia Poética Delmirense, que tem como objetivo valorizar o poeta da terra e descobrir novos valores. Na mesma noite o poeta Virgílio Gonsalves lançou o seu livro de cordel Fim do Mundo. O evento aconteceu no Museu da Pedra e reuniu o prefeito Marcelo Lima, secretários municipais, vereadores e populares. No seu discurso Virgílio agradeceu o apoio do prefeito Marcelo Lima para a realização do cordel. "Estou muito feliz em poder realizar mais este sonho. Só tenho a agradecer ao prefeito e a todos que me ajudaram desta Prefeitura", disse Virgílio. Marcelo enfatizou o trabalho que Virgílio desenvolve no município e reconheceu o grande talento do artista. "Virgílio está de parabéns porque a história dele é a história do município de Delmiro Gouveia, contada nos seus versos e poesias", falou. A secretária de Turismo, Cultura e Esportes, Dayse Freire, apresentou o concurso de poesia, que conta com a participação dos alunos da rede pública municipal e toda a comunidade, cujas poesias selecionadas serão publicadas em um livro. Além do concurso na qual resultará em um livro, o projeto Antologia Poética Delmirense prevê ainda um incentivo permanente aos poetas através de recitais e encontros dos poetas. "O que nós queremos é valorizar o nosso artista e dar oportunidade aos mesmos de mostrarem sempre o seu trabalho", frisou Dayse. Que bom saber que o Virgílio Gonçalves ainda está na ativa. E melhor ainda saber que a cidade reconhece o seu talento e o homenageia ainda em vida.

A foto da capa do livro do poeta delmirense é uma colaboração do Abrahão.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Delmiro Gouveia: Gente da terra.

O blog capengando. Cada vez menos visitantes e comentários. Assuntos novos quase não há. Sempre variações em torno de temas já anteriormente mencionados. Além disto, ando com uma preguiça imensa de ir inserindo os post dos blogs anteriores no novo formato. Mas quando penso em encerrar as atividades, eis que sempre chega alguém novo trazendo sua contribuição. E hoje temos o material enviado pela Lourdes.

César,

Logo, logo enviarei outras. Vou procurar nas fotos de minha mãe.

Esse e o padre Fernando(meu padrinho) e Lia de Ferreirinha. A foto pequena e de Bezo, os outros primos dele que morreram no acidente na éoca era de Arcoverde.

Lourdes Barbosa Ferreira.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Casarão de Luiz Xavier (por Eduardo Menezes)




Um post triplo. O Eduardo nos traz um pouco da história do antigo e famoso casarão do Luiz Xavie, segue logo abaixo seu texto na íntegra, e acrescenta três fotografias. Sendo as mais recentes são de julho de 2008. E logo abaixo em duas postagens resgato textos do blog anterior que versavam sobre o mesmo tema.

Texto de Eduardo Menezes

Foi construída por Zezé Correia, que era casado com a filha do Coronel Ulisses Luna. No local já funcionou o Delmirópolis Hotel (que funcionou sob três direções: Lia de Bráulio, que montou o hotel após separar-se Bráulio onde eram proprietários do hotel Paulo Afonso, vizinho ao bar de Lula Braga; Zé André, vindo de Piranhas, pai de Wilson que já teve uma farmácia homeopática na Rua da Independência e Zé Unias, um viajante e empreiteiro de um trecho da estrada BR 423) e o escritório da Chesf que moravam os funcionários Mateus e Edmundo, depois disso Luiz Xavier de Carvalho comprou a casa para morar com a família. Anos mais tarde Luiz Xavier cedeu o terreno do lado direito ao seu filho Maurício Vilar para fazer o bar O Castelinho, algum tempo depois Maurício alugou o bar para uma família que veio do Recife e o nome foi mudado para Bar das Cordas, que tinha algumas cordas penduradas na entrada dando uma idéia de uma cortina e mais recentemente funcionava uma loja de móveis usados de Maurício. Após a morte de Luiz Xavier funcionou na casa a Coletoria Estadual, Clinica Médica de Dr. João Alexandrino, Casa da Arte (na qual eu fiz parte da organização) e o Batalhão da Polícia Militar. Depois a casa foi demolida e construído salões para comércio Na época que funcionou a Casa da Arte, não sei ao certo mas acho que foi tirada a fotografia por volta de 2004...

Ainda Sobre o casa de Luiz Xavier.



Texto originalmente postado em 19 de abril de 2006 no blog anterior. Uma foto do local onde aparece o detalhe da casa por volta de 1915 e outra da casa em janeiro de 2006 de autoria de Paulo da Cruz.
Texto de César Tavares
"O horror, o horror", já dizia o Marlon Brando em "Apocalypse Now" interpretando um coronel maluco embrenhando nas selvas vietnamitas. Tal fala foi inspirada nas últimas palavras do personagem Kurtz no livro "Coração das Trevas"(Heart of Darkness) de 1902 do polonês Joseph Konrad. E as mesmas palavras talvez sejam compatíveis com o nosso desapontamento ao ver as fotos que ilustram este post(uma continuação do anterior) sobre o que restou da Casa do Sr. Luiz Xavier e seu entorno. Dá uma pena ver o que fizeram com algo que era bem representativo na nossa Macondo e em nossas lembranças juvenis

E o sentimento também partilhado por estes dois depoimentos:

Email enviado por Paulo da Cruz. César, Estou enviando o que talvez seja a última foto do antigo casarão de Luiz Xavier. A foto foi tirada da Praça Delmiro Gouveia, e por isso pegou também o prédio do antigo Cine Real. O Cine Real tem história. Foi lá que passou o primeiro filme brasileiro com nu frontal: Os Cafajestes, com Jece Valadão e Norma Benguel. Eu não assisti, era criança na época, porém lembro que os comentários duraram vários dias.

Comentário feito no post anterior por Rouse Vilar. Aii que saudades me deu vendo essa casa que para mim é a casa de sonhos da minha infância, a casa de Tia Irene (irmã da minha avó e esposa de Luiz Xavier). Brinquei muito nesse quintal, que parecia uma floresta de tão grande...rs Amava essa casa, tinha vários quartos, salas...adorava brincar de esconde-esconde..rs Fiquei triste ao ver o descaso com ela ao longo dos anos e mais triste quando em visita recente à Delmiro vi que foi completamente demolida, pois é...só restaram as fotos e as lembranças! Rouse 17-04-2006 15:29:05

Agora é com vocês. O que vocês sugerem para o lugar? Sem ironia nenhuma(risos) Seria interessante um Posto de Gasolina? Um Lavajato? Uma loja de Material de Construção? Dê a sua sugestão. Comentem.

Um Casarão Delmirense



Texto postado originalmente em 16 de abril de 2006 no blog anterior e fotos de Paulo da Cruz.
Texto de César Tavares
O casarão branco e imponente para os padrões da época dominava uma das esquinas da principal rua da cidade de Delmiro Gouveia. Era ladeado pelo Cine Real e por um beco. Era a famosa casa do Sr. Luiz Xavier. Lembro vagamente que ele era um senhor magro, alto e com ares austeros. Era comum vê-lo aos finais das quentes tardes delmirenses na varanda sentado numa cadeira de balanço a ler os jornais do dia. Não sei ao certo qual era o seu ramo profissional. Parece-me que era proprietário rural. Corrijam-me os parcos leitores.

A casa em si e o beco ao lado hoje em dia viraram acidentes geográficos. É comum alguém se referir é ali perto da casa de Luiz Xavier. Ou então corta caminho pelo Beco de Luiz Xavier que você chega logo na Rua do ABC. O beco talvez tenha algumas histórias. Num passado distante parece-me que abrigou algumas meninas conhecidas por um trabalho nada fácil. Não sei ao certo. Era bastante garoto ainda para entender isto. Mas faz parte das lendas urbanas. Sintam-se à vontade para acrescentarem algo ao imaginário coletivo da cidade.

Voltando ao casarão, segundo o Paulo da Cruz comentou num dos posts, foi num passado mais distante ainda, creio que nos tempos do pioneiro o hotel Delmirópolis. Talvez o primeiro da cidade. Pela foto que ilustra este post. Percebe-se que o casarão sofreu algumas intervenções arquitetônicas. E para pior. Fizeram um puxadinho. Abriram um pequeno ponto comercial que ao meu ver tirou boa parte da beleza de seus traços originais. Uma pena. Premido pela economia e pelo imediatismo de se gerar renda mata-se uma parte do passado. Enfim acontece o mesmo em outras partes do país. Falta de planejamento urbano e preservação das raízes.

Agora vamos contar um causo: dos filhos do Sr. Luiz Xavier parece-me que deles foi diretor geral do trânsito no estado de Alagoas. Era o Rubens Vilar. Mais conhecido como Rubão. Em 1974 ele foi candidato ao senado pela Arena. E isto ninguém me contou. Ate hoje guardo na lembrança que num comício realizado em frente ao antigo Mercado Público, ele empolgado fez uma promessa aos esportistas delmirenses: Que no ano seguinte o Delmirense Futebol Clube estaria disputando o campeonato alagoano. Ora fácil perceber que ele estava de olho nos votos dos aficcionados por futebol, um nicho de mercado eleitoral com enorme potencial de votos. A cidade nesta época tinha um campeonato regular com seis times disputando: Palmeirinha, Pedra Velha, Bom Sossego, Unique, Veneza e Atlético. Então a sua intenção era que se formasse uma seleção com os melhores e daí saísse o tal Delmirense para disputar o campeonato estadual. Moral da história: 32 anos depois ainda não se tem nenhum time local a disputar o tal campeonato. E olhe que a cidade hoje está entre as maiores do estado. Alguns anos depois o Rubão foi candidato ao senado por um estado da região norte. Não lembro o estado (talvez o Amapá) e nem sei se foi eleito. Já não mais morava em DG.

Por gentileza retifiquem ou ratifiquem a informação. Com vocês a palavra. Que histórias mais se têm sobre o casarão? E o beco? E o Cine Real ao lado? Contem suas histórias. E agora é com vocês.
Enfim comentem.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Delmirenses: Os filhos de D. Maria Pinto.


É sempre bom ampliarmos o número de leitores/colaboradores. E hoje temos a participação do Leo que nos remete uma fotografia dos seus tios. Lembramos que a sua avó, D. Maria Pinto, já foi citada no blog passado, em post no qual falávamos das antigas professoras delmirenses. Vamos ao seu email.

Caro César,

Adoro o blog-site que você fez em homenagem ou simplemente mostrar um pouco da nossa linda e maravilhosa Delmiro Gouveia que tanto amo, apesar de ser soteropolitano.
Chamo-me Leonardo e sou filho de Absalão, sobrinho de Abrahão e Edna Pinto, estou mando essa foto como homenagem aos três. Acompanho muito o blog e quase não vi algo falando sobre eles. Então segue a foto. E sempre que puder mandarei algumas outras que eu conseguir.

Um Abraço

Leo.

Agora é com vocês.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cine Real: Ascensão e Queda




Pessoal mais um post duplo. Primeiro trago um texto do Eduardo acompanhado por duas imagens de julho de 2008. E logo em seguida resgato um texto postado no blog anterior em abril de 2006. Os textos se complementam pois ambos tratam do melancólico fim do Cine Real

Texto de Eduardo Menezes.

Construído pelos irmãos José Maria e Maximiano Martins Cavalcante, depois foi vendido para José Bandeira Nunes, conhecido por Zé Balbino. Lembro que quando eu era criança meu pai, Zito, fazia a coleta da Taxa Sobre Diversões Públicas que o IBGE recolhia e por isso eu e Ricardo tínhamos o direto a entrar de graça no Cine Real, Cine Pedra e nos circos que iam pra cidade. Segundo o responsável pelo funcionamento das máquinas e também fotógrafo José Petrauskas, que era conhecido por Galego do Cine Real, a última sessão do cinema foi em 25 de outubro de 1983, durante a semana da festa da padroeira de cidade, Nossa Senhora do Rosário, e tinha apenas quatro espectadores. Hoje Petrauskas é conhecido por Galego do PRPC, depois de ter comprado o Ponto Regional de Propagandas Comerciais.

Cine Real: lembranças do passado delmirense.
Texto originalmente postado em 20 de abril de 2006. Aqui postado com alterações e acréscimos( O texto começava com comentários feitos por leitores em outros posts e aí peguei o mote do Cine Real)

O comentário do Eraldo veio com um certo lirismo.Pungente. Para alguém com boa imaginação é possível até visualizar a cena descrita. Está perfeita. Realmente muitos namoros começaram daquela maneira romântica. Certamente alguns terminaram em casamento. Confesso que nunca fiz tal proposta para nenhuma beldade delmirense. Problema meu: feio, pobre, tímido e enrolado

Comentário feito pelo Eraldo Vilar
Quanto ao cine Real, do saudoso Zé Balbino, operado por "Galego-do-Cine-Real", quantas lembranças!. Alguém lembra da musiquinha que tocava pelo alto-falante 5 mins antes da sessão começar e que fazia os rapazes paqueradores que ficavam na pracinha em frente, correr para ocupar seus lugares? (normalmente já guardados pelas namoradas, pois, volta e meia, um namoro em Delmiro começava por um pedido do mocinho para a ruborizada mocinha: "Guarda uma cadeira no cinema para mim?"). rs.. e a suadeira para pegar na mão, no escurinho do cinema?...rs tempos românticos aqules..rss

Comentário feito pelo Danúbio Oliveira
Ainda comentando sobre o Cine Real, lembro nitidamente que no "desenrolar da película eastmancolor", no clímax da emoção do filme, tinha sempre algum maloqueiro que passando pela calçada que ladeava o prédio, dava gritos altíssimos, ou batia numa janela ou chamava alguém pelo nome só p/atrapalhar a concentração.




Texto de César Tavares:

Falar no Cine Real e trazer à tona claras lembranças tais como: Os filmetes sobre futebol feitos pelo Canal 100 e que antecedia a película principal. Quem não lembra da musiquinha "que bonito é"? E quem não se levantava da cadeira e ensaiava uma cabeçada na bola que supostamente vinha em sua direção?
Também atire a primeira pedra aquele que nunca levantou a voz e fez um "Xôôôô para o símbolo da abertura da "Condor Filmes" O pássaro negro e careca se preparava para seu bater de asas e a meninada com o grito preso na garganta a esperar para soltar o Xôôôô que se o bicho pudesse ouvir alguma coisa.
Também ri muito com o comentário do Danúbio. Não lembrava mais da bendita janela lateral. Eu já fiz esta molecagem ao passar por ali e se deparar com aquela janela feita de zinco e pedindo para levar umas pancadas. Então não contava conversa: Parava. Olhava se tinha alguém espiando, subia num pequeno apoio providencial de cimento e que estava ali na parede. E então largava a porrada na janela e isto acompanhado de alguns gritos e gracinhas para quem estava assistindo o filme. Obviamente o retorno era imediato: gritos partiam de dentro do cinema. Não lembro de nenhum elogio a mim e nem a minha santa mãezinha. Assim como eu fazia isto. Outros meninos também faziam. Espero que algum deles tenha a devida hombridade de virem a público purgarem os seus pecados do passado.
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Outra coisa que aprontei por lá, talvez o Danúbio ainda lembre disto, foi quando passou o filme King Kong (do Dino de Laurentis). Eu já havia assistido a película um ou dois dias antes. Geralmente os filmes ficavam em cartaz por apenas 3 dias. E conhecia o final: O King Kong escalando o Empire State Building levando numa das mãos a mocinha(Jéssica Lange). E na hora em que o macacão estava no topo eu gritei bem alto no cinema: DESÇA JÁ DAÍ. Eu tentava imitar o bordão que o saudoso ator Ronald Golias usava em seu personagem na Praça da Alegria(que ainda passava na Globo e ele contracenava com o Miéle). Enfim após eu lascar o Desça já daí foi uma gritaria infernal no cinema. E eu bestamente me senti o máximo por ter sido o moleque a iniciar a zorra. Outro pecado confessado.


Trabalhavam no Cine Real: Galego do Real. Poucos sabem que o seu nome verdadeiro é José Brito Petrauskas. Procurem no verso de velhas fotografias que vocês acharão isto. Pois ele era além do projetista também fotografo profissional. Quem não lembra dele em sua lambreta marrom e com uns longos cabelos amarrados com uma fita? O porteiro era o Zé Real(irmão do Hélio. Este talvez somente Braulio Oliveira e o Ailton Moreira lembrem de quem eu falo pois moravam perto do mesmo) e na bilheteria ficava o Sr. José Balbino ou um dos seus filhos.

O Paulo da Cruz também num post passado levantou a lebre do que eu na minha inocência acho que seja alguma história sobrenatural.(rs) Ele afirmou nos comentários: "Cine Real...Se aquelas cadeiras falassem"


Agora é com vocês : Quais suas lembranças e o que tem para nos contar sobre o Cine Real? Registre suas lembranças por aqui.

domingo, 30 de novembro de 2008

Uma certa tamarineira em Delmiro Gouveia.





O Eduardo Menezes trouxe um pouco da história da Praça da Tamarineira, aproveitei e resolvi fazer uma dupla postagem. Para isto resgatei um post do blog anterior enviado pelo Paulo da Cruz em setembro/2007 e que rendeu uns tantos comentários na época.


PRAÇA DA TAMARINEIRA
Texto de Eduardo

A praça foi construída pelo prefeito José Serpa de Menezes, em seu segundo mandato que durou de 1983 a 1988, porém a árvore tamarineira, que resiste até hoje, foi plantada em 1942 pelo pedreiro José Manuel da Silva que trabalhou na construção da Vila Operária, pai de Guilherme, também pedreiro, que hoje mora no Bairro Novo. Na época em que foi plantada a tamarineira o local era conhecido como Rua da Palha, devido à existência de várias casas feitas de palha de coqueiro. Houve duas reformas na praça, a primeira durante o segundo mandato do prefeito José Serpa de Menezes (1983 a 1988) e a segunda no mandato de Luiz Carlos costa (que teve início em 1997).

Fotos tiradas pouco tempo antes da reforma feita por Luiz Carlos Costa (segunda e terceira fotos)



Sábado, Setembro 29, 2007
RECANTOS DELMIRENSES: PRAÇA DA TAMARINEIRA.

Texto de Paulo da Cruz.

Praça da Tamarineira O nome oficial é Praça Inocêncio Exalto. Deveria ser Praça Prof. Maria Pinto. Nada contra o homenageado, só que essa homenagem poderia ser em outro local. Dona Maria Pinto viveu ali e alfabetizou dezenas ou centenas de crianças. Para quem dá valor a educação, como eu, isso é de extrema importância. Independente do nome, para o povo a praça continua sendo da Tamarineira. Afinal de contas ela está, incólume, resistindo as intempéries, maltratos e outras coisas mais. Claro que não continua como era no meu tempo de infância, mas, está lá, impávida e principalmente produzindo aqueles tamarindos que fizeram e ainda fazem a alegria de muita gente. Agora mesmo, mês de setembro, está carregada de tamarindos, aguardando que a criançada ou os marmanjos façam a devida colheita. Até quando ela vai estar lá não sei, mas com certeza se algum dia ocorrer o seu desaparecimento será um atentado a memória de tantos que seja lá onde estiverem lembram dos bons momentos que passaram colhendo os seus frutos. Para refrescar a mémoria aí vai uma foto recente de fiz da velha tamarineira.(primeira foto).

Agora é com vocês. E creio que o Abrahão poderia repetir por aqui seus comentários feitos no blog passado. Afinal ele conhece bem este recanto da nossa Macondo Sertaneja.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Delmiro em Fatos e Fotos.







E intercalando entre posts antigos e as novidades trazidas por estes dias pelo Eduardo, eis que hoje é a vez do Marcos Lima trazer sua colaboração.
Particularmente acho super interessante isto. O blog vem definhando e de repente aparece alguém dando uma força. E cada um oferece uma safra de novidades. E assim a roda vai girando. Vamos ao seu email do nosso colaborador que aproveita e nos faz um convite para prestigiar o seu blog onde fala também sobre outra cidade alagoana e terra de meus avôs maternos e do bom e velho Graciliano Ramos “um monstro sagrado da literatura nacional: Palmeira dos Índios

César Tavares,

Veja como o mundo é pequeno, tava na feira de Delmiro no sábado próximo passado, quando passou por mim um cara tirando fotos da mesma, pensei cá comigo, deve ser para o blog AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA, inicialmente pensei tratar-se de você, depois vi que não era parecido, aí vi essa postagem sobre o mercado público, então acho que era o Eduardo Menezes, confere?
Aproveito para enviar mais cinco fotos:
Atual mercado público(qualquer carne da picanha ao cupim a R$10,00, melhor que Maceió a R$16,00)
Grade do muro da fábrica(ach que ficou muito mais humanizada e bonita),
Local em que ficava o antigo trailher com posto fiscal antido de Maria Bode
Nossa Macondo vista do alto da serra de Água Branca.
E placas indicativas para outras cidades.

Convido os AMIGOS DE DELMIRO GOUVEIA a dar uma olhada no blog: www.tilixi.blogspot.com , onde posto coisas da minha terra Palmeira dos Índios e arredores.
Forte Abraço

Marcos Lima
“Nada pode me fazer mal, a não ser que eu permita”
Agora é com vocês.

domingo, 23 de novembro de 2008

Delmiro Gouveia: Mercado Público e suas modificações ao longo do tempo.

Antigo Mercado Público: esta foto foi tirada depois que o mercado foi vendido, está praticamente original, com exceção das portas centrais que eram mais estreitas. Apenas as portas do meio eram largas. E da pintura que o Lourenço Marques mandou fazer na parte que foi adquirida por ele.
Antigo Mercado Público e como ficou após a primeira grande reforma

Antigo Mercado Público e como está hoje.


Local da atual feira livre e do novo Mercado Ulisses de Souza Bandeira.


O blog por estes dias está bastante movimentado em termos de material graças ao empenho do Eduardo. E começa com um resgate histórico e uma verdadeira linha do tempo em relação ao antigo Mercado Público. Vamos ao que interessa:


Texto na íntegra de Eduardo Menezes:

Em 1954, Alfredízio Gomes de Menezes, primeiro prefeito de Delmiro Gouveia, recebeu uma verba no valor de 74 mil cruzeiros e não sabia o que fazer com o dinheiro. Antonio Carlos Azevedo de Menezes, proprietário da Cia Agro Fabril Mercantil, atual Fábrica da Pedra, qual Aldredízio tinha sido contador, sugeriu que ele construísse um mercado público e que doaria o terreno. O mercado funcionou até 22 de setembro de 1992, quando foi inaugurado o Mercado Ulisses de Souza Bandeira, no bairro Eldorado, pelo prefeito José Bandeira de Medeiros. Com a saída do Mercado Público do centro da cidade foi também a feira livre, os comerciantes foram contra a saída da feira, pois achavam que ia diminuir a venda devido ao sumiço dos clientes nos dias de feira. Com a desativação do antigo mercado o prefeito vendeu o prédio.


Eduardo Menezes
(onde houver fé que eu leve a dúvida)


E aí o Eduardo fez um excelente trabalho de pesquisa. Agora é com vocês.

Quais suas lembranças deste lugar?

Será que você consegue identificar que ponto comercial havia nas portinholas? O que era vendido por lá? Seus principais comerciantes? Algum fato interessante ou engraçado que tenha acontecido em seu interior ou adjacências. Então conta por aqui e faça o seu resgate da história urbana delmirense.

Eu ainda trago na memória a visão da enorme nuvem de “poeira de farinha de mandioca” que predominava na área interna do mercado quando eu ia com minha mãe ou meu avô fazer compras.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Delmiro Gouveia: Quando um OVNI cruzou os céus da Macondo Sertaneja


video
Montagem :OVNI Sobre Trinidade Y Tobago

Publicado original em 06 de julho de 2005. Este texto posteriormente foi visto na net por especialistas no assunto e foi solicitada autorização ao autor para publicação no site: Centro de Ufologia Brasileiro. No seguinte endereço http://www.cubbrasil.net/

O texto abaixo é um email (na íntegra) que recebi do Eraldo Vilar (Geólogo da Petrobrás). Ele havia feito um breve comentário num post anterior sobre outro tema. Mas achei o fato tão interessante que solicitei maior detalhamento. O Eraldo se queixa da memória. No entanto o relato está ricamente narrado.Preciso. Com observações de um estudioso no assunto. Eu achei tudo muito fascinante. E certamente está dentro do espírito do blog. O resgate de coisas acontecidas na nossa Macondo sertaneja: Delmiro Gouveia.


EIS O EMAIL DO ERALDO VILAR.
Caro César:
Ok, tentarei descrever o fato com mais detalhes, conforme pediu.

Antes disso, quero dizer que leio, sempre que posso, seu blog, que é uma gostosa forma de voltar aquela terrinha, cujas paisagens e povo, certamente são responsáveis por parte do que hoje somos.

Parabéns, vc escreve muito bem, de forma agradável.

Não desista, temos sido meio preguiçosos (eu e Bráulio, meu amigo e companheiro de profissão e empresa). Tentaremos mandar mais "causos" que venhamos a relembrar.

Quanto ao OVNI: .Eu era adolescente (nasci em 54) e ainda brincava de estilingue, por isso suponho que tinha entre 10 e 13 anos, o que situaria o evento entre 1964 e 1967, com maior probabilidade em 1964, por minhas lembranças. Quando a gente chega aos 50 anos, as lembranças começam a se embaralhar..rs

Meu sonho de criança era ser aviador e sempre gostei muito de ler. Era fascinado pela história da segunda guerra mundial, despertado que fui por uma coleção (acho que da Time) luxuosa do Sr. Eliseu Gomes, pai do Lêlêu, (se não me engano, promotor aposentado) que morava perto do Inss, na praça central.

Era eu amigo do Lêlêu e por meio dele tive acesso aos livros, os quais, detalhavam a batalha da Inglaterra, onde Spitifires e Messerschidmts se digladiaram. Fiquei fascinado.A partir dali, adquiri o hábito de ler sobre aviação, o qual mantenho até hoje, lendo Flap, Força Aérea, etc.

Por adquirir este gosto, passei a ler tudo sobre aviação que me caía nas mãos, tendo chegado até conseguido catálogos de identificação aérea por meio de silhuetas (catálogos onde se vê aviões de guerra e comerciais de frente, lado, frente, trás, cima, por baixo, etc.), de forma que me tornei muito capaz de identificar quase todos os tipos de aviões no céu ( o da fábrica de Delmiro , por exemplo, era um Bonanza, de cauda em "V") , balões juninos, balões metereológicos,helicópteros, etc.

Sempre que ia de férias a Salvador, ia ao aeroporto 2 de Julho, onde pude ver uma gama de aviões que não voavam em Delmiro.

Cito estas coisas para firmar o seguinte: apesar de minha pouca idade, na época, talvez eu fosse a única pessoa capaz de identificar qualquer objeto aéreo que voasse nos céus de Delmiro.

Por isto, nunca tive dúvidas: aquilo que eu (e centenas de pessoas) vimos em Delmiro, naquela noite, não era avião, balão, helicóptero, etc...portanto era um Objeto Voador Não identificado. Se era de outro planeta..não sei..mas, seguramente não era um objeto voador conhecido.

Era início da noite, seguramente entre 18 e 19 hs, pois meu pai sempre jantava nesta hora e sempre jantávamos juntos. Estávamos eu, meus pais e meus irmãos Gildete e Betinho. Lembro-me bem que começamos a ouvir uma gritaria na rua do ABC, onde morávamos (minha irmã Gildete ainda mora na casa, meu pai morreu em 1981 e minha mãe em 2004. Meu irmão Betinho mora em outra casa, por trás dos correios).

A gritaria aumentou muito e despertou nossa curiosidade. Saímos todos à rua e nos deparamos com muitos vizinhos e transeuntes olhando o céu, e falando alto, excitados.

Olhei e vi aquele objeto enorme (dimensões que creio estavam entre 30-50 m, sendo difícil precisar, mas como eu costumava observar o avião da fábrica quando vinha Recife e passava baixo, creio que o OVNI tinha 3 -5 vezes o tamanho do mesmo.

O OVNI estava neste momento uns 150-200 m de altura sobre a casa que hoje mora Maria José Moreira, minha ex-professora de desenho no GVM. Tenho a noção desta altura também por analogia com o comportamento do avião da fábrica, cujo famoso piloto (Nestor) , costumava dar rasantes sobre a rua do comércio, para chamar a atenção do táxi que ia buscar os passageiros no pequeno aeródromo da fábrica.
Deslocava-se lentamente (estimo 5-10 km/h) sem emitir o menor som!.

Vinha do sul para o norte (situando-se em Delmiro uma trajetória do cemitério novo e a igreja da fábrica, ou seja, cruzando 90 graus a rua do comércio), seguindo em direção à Agua Branca.

Passou diretamente sobre minha cabeça, quando pude ver sua forma perfeitamente circular.

A noite estava estrelada, sem nuvens baixas.

Lembro disso porque aquele objeto me propiciou uma visão linda e fantástica. Meu coração queria sair pela boca, pois já tinha lido muito sobre os avistamentos de Ovnis (que começaram a ser relatados em 1954, por Kenneth Cooper, piloto civil que teve um encontro com um OVNI nos céus de um estado americano, se não me falha a memória. E ali estava um OVNI!!..pode imaginar a emoção de meu coração de menino?

Pude notar que a face inferior do objeto, era composta por partes trapezoidais (as bases menores se juntando no centro, formando uma polígono).

A princípio até pensei em balão, mas o gigantismo do objeto depunha contra esta hipótese. Além disso, vi inúmeros balões em minha adolescência, e balões tem um luz bruxuleante típica, causada pela mecha de fogo que aquece o ar e assim o mantém no ar. Neste objeto, percebia nitidamente que a luz interna que iluminava cada trapézio era firme, "fria" (à semelhança da emitida por lâmpadas fluorescentes). Era luz colorida, lembro-me de pelo menos duas cores:vermelha e azul pálidos.

Um outro detalhe ajudou a me certificar de não ser um balão: o vôo era reto, muito linear mesmo e em direção transversa ao vento fraco (mas presente) que soprava naquela noite, fato que lembro bem.
Os trapézios eram circunscritos por uma borda opaca, que dava a forma circular, de matéria opaca, que constituía a borda do OVNI. Esta parte opaca tinha aspecto talvez metálico, enquanto que os trapézios deixavam passar a luz, como se fossem janelas de piso, de observação.

Não se destingiam formas dentro do OVNI, apenas a luminosidade interna, fria e difusa.

Como eu disse, corri para minha casa, peguei meu estilingue e minhas pedrinhas de barro redondas e me juntei aos demais meninos, correndo pela travessa do bar do Zé Toquinho (une a rua do ABC à rua do Comércio) e quando cheguei a esta rua, fiquei embaixo do disco e comecei a atirar nele com o estilingue...rs. Nunca ouvi som, nem modificação no objeto. Nem sei se acertei...era uma excitação que vc pode imaginar..rs
Acompanhei o OVNI, junto com muitos meninos (infelizmente, na minha excitação, não lembro de quem eram, poderiam dar outros depoimentos) até a Igreja da Fábrica, quando parei ( a esta altura, com certo medo) e o vi afastar-se lentamente em direção ao bairro do Bom Sossego e Água Branca.

Engraçado como reagimos a algo que não podemos explicar!..Após todo o alvoroço, voltamos todos para casa , após milhões de comentários excitados, claro...e fomos viver nossas vidinhas...aos poucos, isto se perdeu na poeira do tempo, quase sem registro.

Digo quase, porque nos depois, em 79, no Rio de Janeiro, conversando com um primo meu (Wilson Torres) citei o fato. Para minha surpresa, ele arregalou os olhos e me disse; " Eraldo...fantástico!..eu vi!..estava vindo de carro pela rodovia Garanhuns-Paulo Afonso, indo para Água Branca, onde morava, com amigos, quando vi aquele objeto vindo da direção de Delmiro Gouveia e cruzou sobre nós , seguindo sobre a serra de Água Branca!...

Anos depois, conversando com Bráulio, aqui em Aracaju, contei a história, Para minha surpresa, Bráulio me disse que ouviu história semelhante da sua mãe! ( infelizmente hoje falecida!).

Tenho certeza que muitas pessoas daquela época, e que estavam em Delmiro naquela hora, viram o fenômeno. Porém, estas coisas vão sendo sepultadas pelo tempo e perda de memória e desacreditadas pelo espírito cético que tendemos a ter.

Pois é, caro César...fique a vontade para usar o relato no seu blog. Tomara que alguém mais da época se manifeste. Quando eu for a Delmiro vou saber de meus irmãos se ainda lembram, e te passo um e-mail depois, ok?

Saudações,
Eraldo

E aí leitor você sabia desta aventura ufológica acontecida em DG? O fato foi testemunhado e relembrado por diversas pessoas. Dê a sua opinião. Acrescente mais detalhes a tão inusitado acontecimento. Enfim envie a sua história também.

Figuras Delmirenses: Ronaldo Macarrão, o metamorfose ambulante







Texto originalmente postado em 14 de outubro de 2004.

Nunca soube o seu nome completo real ou ao menos algum sobrenome. Todos o chamavam de Ronaldo Macarrão, o apelido certamente inspirado pela sua esqualidez. Também nunca soube do que vivia ou sobrevivia em Delmiro Gouveia naquela época.

Era um tipo meio diferente para os padrões de uma cidade até então pequena e acanhada. Aquela figura alta, magra, cabelos longos desgrenhados, e eternamente vestido com jeans surrados, às vezes com uma jaqueta. Lembrava um pouco um hippie. Apesar de que o movimento rebelde dos anos 60 há muito declinara. Enfim ele não era alguém que passasse despercebido.

E como ser despercebido sendo diferente numa cidade pequena? Era algo um tanto difícil.
Quando chegavam os finais de semana, ele era a grande atração dos Programas de Calouros, que geralmente aconteciam no Antigo Cine Pedra. A voz do animador anunciava em tom de suspense a sua entrada: Agora com vocêsssssssssss Ronyyyyyyyyyy Seixassssssssss.

E então ele adentrava ao palco imitando o seu ídolo Raul Seixas. A voz não lembrava muito o Raulzito. Mas à imitação dos gestos, trejeitos e postura de palco lembrava.

Ele então se transformava num astro. E nós aquela meninada dos anos 70 de DG, aplaudíamos o nosso ídolo e gritávamos o seu nome. Tudo isto era acompanhado pelos acordes dissonantes do Conjunto do Reginaldo. Não lembro mais o nome do conjunto. Mas sei que sempre mudava de nome.

Tudo bem que era tudo uma grande gozação. Mas o Rony Seixas se empolgava. E naquele momento ele era uma verdadeira Metamorfose Ambulante. E entre outras coisas cantava: Gitã, Medo da Chuva e Quem não tem colírio usa óculos escuros e Eu Nasci Há dez mil anos atrás.
Talvez algumas pessoas mais conservadoras façam algum tipo de censura ou encare com ares de reprovação esta homenagem ao Ronaldo Macarrão.

Poderão até dizer: mas este cara bebe demais e outras coisas. Mas quero deixar o meu registro sobre alguém que até hoje povoa minhas lembranças delmirenses. Um sujeito pacato, de voz suave, contestador e tranqüilo. Sempre o achei gente boa. E o olhava com olhos de admiração. Porque ser contestador naqueles anos de chumbo não era coisa para qualquer um. Afinal vivíamos numa ditadura e num ambiente social ainda eivado de preconceitos.

Não lembro de nenhum gesto com conotação política que ele tenha feito, naqueles tempos. Mas era ao meu ver um rebelde sem causa. E nos divertia com as suas loucuras.

A maior delas foi entrar num sarau do Clube Vicente de Menezes dentro de um caixão de defunto. A armação toda feita pelo Gilmar Cabeção. Foi algo marcante. Luzes apagadas, velas acesas e quatro sisudos carregadores entrando no salão. Um clima de suspense pairava no ar. O caixão é aberto. E levanta-se vagarosamente vestido numa mortalha o Ronaldo. Gritos histéricos por todo o salão. Foi uma farra.

Em junho de 2002 ao visitar a cidade após cinco anos de ausência. O encontrei ainda logo cedo sentado na escadaria do antigo Bar do Lula Braga. E fiz questão de ir apertar a sua mão e de apresenta-lo ao meu filho.

Eis aqui o famoso Ronaldo Macarrão ou Rony Seixas. Um artista delmirense. E ele com uma voz enrolada para àquela hora da manhã, agradeceu a deferência.

Hoje provando que é um verdadeiro mito vivo. E que realmente nasceu há dez mil anos atrás e não tenha nada que ele não saiba demais, freqüentemente é convidado a participar de eventos das novas tribos delmirenses.

As fotos mais recentes do nosso ídolo foram tiradas agora em setembro/2004, num evento ligados a esportes radicais urbanos(Skate e coisas afins) promovido pelo Eduardo Menezes.

Agora é com vocês.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Limites Geográficos da Macondo Sertaneja: Ainda Maria Bode





Dando continuidade ao tema Maria Bode, hoje o nosso colaborador Eduardo nos traz, além de uma belissíma fotografia, dois croquis explicativos. A foto me traz a lembrança do famoso filme Badgá Café, que trata de um local de mesmo nome, misto de motel, lanchonete e posto de gasolina, numa estrada localizada no meio do deserto de Mojave, entre Las Vegas e a Disneylândia. É lá que vai parar a alemã Jasmin Munchgstettner, depois de ser largada sozinha na estrada, pelo marido, após uma séria discussão entre eles. Para quem já viu o filme, fica a comparação. Para quem não viu, fica a recomendação. E agora, vamos ao que interessa, o texto do Eduardo, cerne deste post:

Texto na íntegra de Eduardo Menezes

Maria Bode sempre teve uma ligação forte com Delmiro Gouveia, foi por muito tempo um ponto de apoio para as pessoas que viajavam para outros estados era lá que eu, entre muitos, esperava o ônibus da “Preogresso” quando estudava no Recife. Para tirar alguma dúvida sobre a que município a localidade pertence tô mandando um mapa com os limites municipais de Delmiro Gouveia, que fiz com base no mapa do IBGE, onde mostra o encontro dos municípios de Pariconha e Água Branca na localidade, estou mandando, também, uma planta de Maria Bode mostrando mais detalhes, inclusive onde ficava o antigo Posto Fiscal que o Lima trabalhava com Delmiro Luna, filho do ilustre Dr. Ulisses Luna. o IBGE não tem a planta de Maria Bode, porque não é povoado, então fiz tipo um rascunho só pra ter uma idéia do lugar.Aproveitando esses "mandamentos" segue também uma foto de 1983 do posto de gasolina de Maria Bode.

Agora é com vocês.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Igrejas Delmirenses e Monsenhor Fernando.

Igreja da Vila: Vista Noturna.
Detalhe da nova matriz num dia com arco-íris.

Padre Fernando e o meu tio então Padre Didi.


Aproveitando duas belas imagens recentes das igrejas delmirenses (cedidas por Heitor, Jane e Felipe, meus amigos no orkut). Vamos mesclar então com o resgate adaptado de um post de 27 de dezembro de 2005, publicado no blog anterior, cujo tema era o Monsenhor Fernando. Ele foi o grande responsável pela construção da nova matriz que levou longos anos para ser erigida. E enquanto isto ele celebrava suas missas na antiga igreja da vila.


UMA FIGURA HISTÓRICA DELMIRENSE: MONSENHOR FERNANDO.

... Alguns anos depois, fora convidado para capelão da igreja o jovem padre Fernando Soares Vieira, que fundou a festa de Nossa Senhora do Rosário na igrejinha da vila, aonde celebrava as novenas e missas de encerramento. O trecho de texto acima foi retirado do site da prefeitura.

O post é curtinho. Atendendo uma sugestão da Sandra de Eurico, para lembrarmos de uma figura importante da história delmirense. Falamos do famoso Monsenhor Fernando. Creio que ele batizou, fez a primeira eucaristia, casou e por fim deu a extrema-unção(hoje benção dos enfermos) a quase todas as famílias católicas de DG. Há uma placa na igreja indicando a data de seu nascimento e falecimento. Acho que ele foi sepultado na própria igreja que tanto se empenhou em construir. A foto do pequeno acervo familiar e que ilustra este post é de 9 julho de 1961. Portanto uma raridade, afinal tem 47 anos. O Padre Fernando (senhor calvo à direita) era o paraninfo de ordenação da primeira missa rezada pelo seu amigo e então Padre Heliomar(Didi), meu tio, e que poucos anos depois deixou o hábito e resolveu constituir família.

Com a palavra os leitores. O que você tem de interessante para contar sobre ele? Quais as suas lembranças? Ainda está no fundo da gaveta aquela sua foto clássica, com carinha angelical, vestindo uma camisa branca de mangas compridas e gravatinha azul e segurando na mão direita uma vela?Ou as meninas com suas saias plissadas e blusinhas brancas de mangas bufantes. Manda para cá.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Maria Bode o que há num nome?







Abrindo hoje com email enviado pelo Marcos Lima.


César Tavares,

Gosto muito da cidade de Delmiro Gouveia e me identifiquei de imediato com seu blog, tenho recordações e lembranças dos tempos passados nela, possuo inclusive algumas fotos desse tempo e como também do presente delmirense, a nossa MACONDO SERTANEJA (de onde tirasse isso?, talvez do livro cem anos de solidão do Gabriel Garcia Márquez?)No momento envio três fotos atuais e uma curiosidade a respeito de duas delas (o que é isso nos fios dos postes da MACONDO SERTANEJA) existem por toda a cidade, a outra foto é da saída para Água Branca via Maria Bode, onde trabalhei durante 2 anos no antigo posto fiscal que existia por lá.

Abraços
Marcos Lima
"Nada pode me fazer mal, a não ser que eu permita"
Grato ao Marcos pelo material enviado. Sim a analogia com Macondo foi retirada do livro referenciado. Afinal, a meu ver, tudo em Delmiro Gouveia naqueles tempos(e talvez atualmente) é puro realismo fantástico.

E agora pergunto: Qual a origem do topônimo Maria Bode? E quem é que conseguirá dar uma explicação razoável para as crequinhas grudadas nos fios?