Resgatando textos.
Texto do Prof. Paulo da Cruz. Postado originalmente em 28/agosto/2006 na primeira versão deste blog, na época teve 15 comentários. Pena que não há como recuperá-los Centro de DG no início dos anos 2000.
Quem vê o centro comercial de DG hoje, barulhento, com calçadas modernas e bares de rua, não pode imaginar, a menos que já tenha vivido um bom tempo, como era isso no passado.
Na década de 60, por exemplo. A atual Av. Castelo Branco, onde fica o centro nervoso do comércio em DG, já teve vários nomes. O primeiro, pelo que sei foi Rua do Progresso e começa onde foi o Cine Real e ia até a casa de Zé Balbino (dono do ônibus que fazia a ligação DG/Paulo Afonso. A partir daí era Rua Petrolândia (acho que influência da via férrea que passava ao lado) até a casa de Pedro Camilo. A partir daí era Alto da Paz. As linhas limítrofes podem ser um pouco diferentes (a minha memória já não é a mesma) mas era mais ou menos isso).
Essa confusão toda acabou na administração do Dr. Ulisses Luna, que como prefeito, no início da década de 60, urbanizou essa área com calçamento, plantio de árvores, etc. Para dar um toque final ele construiu um arco na saída da cidade, no Alto da Paz, e juntou todas as ruas em uma avenida que denominou de Carlos Lacerda. Nessa época Lacerda era um dos prósceres da UDN, partido que dominava a política em DG rivalizando com o PTB. Era a época dos caras-branca e caras-preta (assunto pra um post futuro). Entendeu o nosso doutor que Lacerda devia ser homenageado e deu nisso: Av. Carlos Lacerda, a primeira de DG e talvez a única até hoje. Anos depois soube que o nome já não era mais o mesmo. Tinha sido mudado para Av. Castelo Branco, o primeiro presidente no regime militar. Lacerda tinha caído em desgraça e alguém, não sei quem foi, achou por bem mudar o nome da avenida. Quem assistiu a série da Rede Globo sobre Juscelino Kubischek deve ter tomado conhecimento do que aconteceu com Lacerda.
A inauguração do calçamento, arborização e arco do triunfo foram dia de festa em DG, com direito a músicas marciais na PRPG, desfile dos alunos do Ginásio Vicente de Menezes (dos freqüentadores desse blog eu e creio que Gilda Vilar, esteve presentes desfilando, rs) e muitos discursos. Por falar em festa o centro comercial sempre foi o palco para os desfiles em datas festivas.
Em uma cidade onde não se tinha o que fazer a época dos desfiles era um momento para balançar um pouco a velha modorra. A agitação, no centro, começava com os ensaios, ansiados por grande número de alunos por ser uma forma de escapar das aulas. A cidade parava para ver os alunos ensaiando. Inicialmente eram feitos os preparativos no pátio do GVM, já atraindo os curiosos que se aboletavam no muro pra ver o Sargento Gerson (quem lembra dele) dar instruções de ordem unida. Depois sempre havia uma formação em frente do GVM com uma conseqüente treinada, digamos assim, pelas ruas adjacentes, toda a Av Carlos Lacerda, indo até o arco, Rua da Travessa, Rua do ABC, saindo na Rua Olavo Bilac e retornado ao GVM. Em dia festivo, 7 ou 16 de Setembro, toda a movimentação ficava concentrada no centro, mais ou menos, a época entre A Queirozina e a loja de Dimas, que devia ainda ser conhecida pelo nome do seu pai (não lembro qual era).
E hoje como será? Com a palavra as novas gerações.
Um comentário:
Quando nasci, a Av. Castelo Branco já se chamava Castelo Branco. Sendo bem sincero, eu só ouvi falar no Prefeito Dr. Ulisses pelo blog, nunca ninguém chegou a comentar comigo sobre seus feitos, seja na escola, na minha família, ou entre conhecidos dos meus pais quando debatiam sobre política.
Também não lembro do arco que ficava na mesma Avenida (pode ser que eu tenha visto ele, mas não é uma memória forte, nem tenho certeza disso).
Sobre o Carlos Lacerda, o que houve? Como ele caiu em desgraça? Também gostaria de saber um pouco sobre os caras-pretas e os caras-brancas.
Ao menos, eu me recordo dos desfiles e, de fato, era uma época agitada para a cidade, um dos eventos mais esperados pelos alunos e por quem queria ir/participar/assistir uma coisa diferente na cidade, já que não éramos providos de tantos eventos assim (para todos os públicos), haha!
Não sei, dava a impressão de que o evento parava a cidade, eu mesmo, ia sem ninguém próximo estar desfilando, então creio que mais gente tinha o mesmo comportamento de ir só para assistir.
Na época que presenciei, diversas outras escolas já participavam dos desfiles (não sei se na época narrada no post outras escolas além do GVM participavam), lembro-me que por meados de 2010 a 2014 houve protestos na escola Afrânio Salgado Lages (Cohab Velha), pedindo a volta de um tal "Cabelo" que (eu soube depois) era o responsável pelos ensaios dos desfiles, algo do tipo, eu não era aluno da escola, morava na Rua Tiradentes, no Centro, próximo a Escola Luiz Augusto e em algum momento voltando de uma das Lan Houses que ficavam naquelas proximidades (Lan House de Serginho) eu ouvi algumas dezenas, quem sabe, centenas de Alunos bradando "Queremos Cabelo, Cabelo tem na cabeça, Queremos a Direção, não temos carro não!" HAHAHA, eu lembro que também brandei, mesmo sem saber do que se tratava e logo depois tomei conhecimento. Pode até ser que seja outra a história, mas o que fiquei sabendo foi isso.
Enfim, eu saí da cidade nos primeiros meses de 2019, lembro-me que nessa época o desfile já não era mais algo tão "especial" (ao menos para mim), que não parava completamente a cidade, pois a mesma já ganhava outras proporções comparado a década anterior, eu mesmo já não frequentava todos os anos e não sei dizer também se houve desfiles todos os anos após 2014, seria muito valioso um comentário de alguém que fazia parte da organização dos desfiles e que tenha fotos dessa época para podermos vislumbrar as roupas que usavam, um pouco das coreografias, um rosto ou outro que ali assistia.
De 2019 para cá, houve a pandemia e alguns eventos que conturbaram essa ideia "patriota" de comemorarmos um dia tão importante para o nosso país, sei que houve desfiles nos anos posteriores a 2019 por acompanhar o Instagram de alguns amigos da cidade, mas não tenho a informação de quais anos exatamente teve, se o ano passado teve e se esse ano (2025) haverá.
De qualquer forma, desde 2019 não volto para a cidade, estou pensando em procurar informações se haverá desfile esse ano e, se for haver, irei visitar a cidade para rever alguns amigos e amigas, assistir ao desfile e fotografá-lo para enviar as fotos aqui ou guardar para as próximas gerações.
através de uma conexão qualquer, River.
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